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Publicada em 11/09/2019 às 00h00. Atualizada em 11/09/2019 às 14h11

15 de setembro - Dia Mundial de Conscientização sobre Linfomas

O médico hematologista Edvan Crusoé nos explica o que é essa doença, quais são os seus tipos, causas, fatores de risco, além do modo como são realizados o diagnóstico e o tratamento.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Linfoma, linfócitos e linfonodos – O linfoma é uma doença neoplásica (câncer) que acomete os linfócitos localizados nos linfonodos (gânglios). Expliquemos, então, o que são os linfócitos e os linfonodos. Os primeiros correspondem a uma parte dos leucócitos, que são as células brancas do sangue. São responsáveis pela defesa do organismo contra agentes infecciosos e participam de processos inflamatórios, além de ajudarem na destruição de células anormais. Podem ser dos tipos: células B, células T ou células NK (Natural Killers). Os linfócitos B, em seu estágio de maturação final, vão produzir os anticorpos, que são as imunoglobulinas – proteínas responsáveis também pela defesa do corpo. 

Já os linfonodos são órgãos linfoides secundários, que variam de milímetros até poucos centímetros de tamanho. Funcionam como um depósito de linfócitos de memória, que, quando ativados por algum estímulo, se multiplicam nesse órgão. No linfoma, os linfócitos podem ainda se alojar em outros órgãos, levando ao surgimento de tumores fora dos gânglios, além de se apresentarem no sangue como forma de leucemização. 

Tipos de linfoma – O linfoma pode ser categorizado como Linfomas de Hodgkin (LH) e Linfomas Não Hodgkin (LNH). O que se diferencia em LH e LNH é o tipo celular e a heterogeneidade biológica e histológica. Os linfomas de Hodgkin são originados apenas de linfócitos B, além da demonstração de um tipo celular muito característico nessa doença, chamado de Reed-Stemberg. É uma doença de aspecto menos agressivo e menos heterogêneo. Já os linfomas não Hodgkin, por serem mais heterôgenos, podem ser derivados de linfócitos de tipo B, T ou NK e apresentam características de doença mais agressiva.

"O linfoma não Hodgkin é a neoplasia hematológica mais comum, sendo os seus subtipos difusos de grandes células B e o folicular os mais frequentes".

O linfoma não Hodgkin é a neoplasia hematológica mais comum, sendo os seus subtipos difusos de grandes células B e o folicular os mais frequentes. Ambos são linfomas de linfócitos B. A incidência das neoplasias linfóides nos Estados Unidos da América é de 33,6 casos/100.000 pessoas por ano e, a dos linfomas, particularmente dos linfomas B, está aumentando por todo o mundo, com cerca de 300 mil novos casos ocorrendo a cada ano.

Causas e fatores de risco – É sabido que o sistema imunológico tem papel fundamental para o equilíbrio do organismo e uma baixa imunológica causada tanto por infecções (virais e bacterianas) como por agentes imunossupressores, como radiação ou quimioterápicos, podem desencadear a doença. Já foram estabelecidas algumas possíveis causas para tipos específicos de linfomas.

Infecções virais: o vírus Epstein-Baar está presente em cerca de 100% dos casos de Linfoma de Burkitt endêmico; A infecção pelo vírus HIV pode debilitar o organismo do indivíduo a ponto de poder desencadear um linfoma; O vírus herpes tipo 8 é encontrado em alguns tipos de linfoma, principalmente nos pacientes com HIV; O vírus HTLV 1 é o agente causal de linfoma/leucemia T do adulto; O vírus da hepatite C (HCV) também está implicado em alguns tipos de linfoma. Além disso, podem ser causadoras também as infecções bacterianas: a Helicobacter Pylori (H. pylori) é uma bactéria que pode provocar um tipo de linfoma (MALT).

Entretanto, outras bactérias foram descritas em outros linfomas MALT-cutâneo (B. burgdoferi), MALT-ocular Chlamydia psittaci, C. pneumoniae, trachomatis e MALT-intestinal Campylobacter jejuni.

"Exposições ambientais a herbicias e pesticidas também podem estar ligadas ao desenvolvimento de linfomas B".

Exposições ambientais a herbicias e pesticidas também podem estar ligadas ao desenvolvimento de linfomas B. Entretanto, é importante salientar que apenas uma parte das pessoas que sofrem com essas infecções ou exposições ambientais é que podem desencadear a doença. O LH acomete indivíduos geralmente em duas faixas etárias (30 anos e 60 anos) Já os linfomas não hodgkin geralmente acometem os indivíduos com idade  de 50 a 60 anos, mas podem ocorrer em população mais jovem também.

Diagnóstico e tratamento – O diagnóstico é suspeitado quando os pacientes passam a apresentar crescimento exagerado dos gânglios e, além disso, apresentar febre, perda de peso e sudorese noturna. Para a confirmação clínica da doença, é necessário e obrigatório o exame de anatomia patológica da biópsia de algum desses gânglios ou da massa suspeita acometida pelos linfócitos.

Na quase totalidade dos casos, os pacientes são submetidos a tratamento quimioterápico, associado ou não a radioterapia. Alguns tipos de linfoma, porém, podem ser tratados apenas com antibiótico. Por outro lado, em alguns outros tipos poderá ser necessário realizar transplante de medula óssea.

As orientações pós-tratamento são: seguir o acompanhamento médico com exames periódicos de sangue e de imagem (tomografia, ressonância, Tomografia por Emissão de Pósitrons/PET). Se necessário, é orientado também a aplicação de vacina e profilaxias contra infecções, por um período de tempo determinado.

Prevenção – Ainda não se sabe quais medidas específicas podem prevenir o linfoma. Porém, uma vida saudável, a prática de atividade física, além da identificação e tratamento precoces de algumas infecções virais ou bacterianas podem diminuir a chance de desenvolver a doença.

Palavras Chave:

linfoma hematologia linfócitos
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