podcast do isaúde brasil

Publicada em 22/07/2020 às 17h21. Atualizada em 28/07/2020 às 17h24

O silêncio como caminho para o autoconhecimento

Uma reflexão Budista sobre silêncio e autoconhecimento

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Quando curiosamente te perguntarem, buscando saber o que é aquilo, não deves afirmar ou negar nada, pois o que quer que seja afirmado não é a verdade e o que quer que seja negado não é verdadeiro. 

Como alguém poderá dizer com certeza o que aquilo pode ser, enquanto por si mesmo não tiver compreendido plenamente o que é? 

E, após tê-lo compreendido, que palavra deve ser enviada de uma região onde a carruagem da palavra não encontra uma trilha por onde possa seguir?

Portanto, aos questionamentos, oferece-lhes apenas o silêncio. 

Silêncio e um dedo apontando o caminho. (Reflexão Budista)

O Budismo, que pode ser entendido como uma filosofia de vida, tem milhares de adeptos e, no Brasil, o percentual de seguidores é significativo. A reflexão budista, em destaque, pode ser proveitosa mesmo para aqueles que não se identificam com os ensinamentos e práticas dessa religião ou doutrina, como quisermos nomeá-la. Ela faz pensar na necessidade que temos de buscar palavras para explicar realidades e emoções que nem sempre podem ser compreendidas através de palavras, pois precisam ser vivenciadas, sentidas e internalizadas. Nesse sentido, as palavras que direcionamos ao outro, podem não alcançá-lo quando falamos de algo que ele nunca vivenciou. Da mesma forma, a nossa fala soa vaga quando dizemos de um chão onde nunca pisamos, por maior que seja o nosso sentimento de empatia. 

"Nenhuma teoria é capaz de substituir a vivência e a sabedoria, pois elas não são aprendidas nos livros e não transitam pelo intelecto e nem pela razão..."

Nenhuma teoria é capaz de substituir a vivência e a sabedoria, pois elas não são aprendidas nos livros e não transitam pelo intelecto e nem pela razão, mas sim, pelo “sentir”. É preciso sentir o gosto, o cheiro e a textura para que tenhamos a real compreensão daquilo que nos chega. Podemos ler e ouvir sobre histórias, mas cada um precisa tecer a sua história, fio por fio. 

Frequentemente, as pessoas nos cobram respostas ou opiniões e se sentem desconfortáveis quando não as emitimos. Isso é muito comum quando se está em terapia. No setting analítico, a exemplo, onde o analisando é estimulado a buscar as suas respostas, essa questão é delicada e precisa ser manejada com cuidado. Não raro, o analisando solicita respostas e opiniões ao analista e quando não é atendido, abandona a análise.

A nossa cultura nos estimula a falarmos freneticamente. Temos uma mente barulhenta e inquieta e o silêncio não encontra espaço para fazer-se presente, porém é ele que nos leva para dentro de nós, onde podemos encontrar as respostas que buscamos. Acredito que elas já estão em nós e precisamos apenas de coragem para acessá-las, pois elas podem nos levar a lugares sombrios, aqueles que tamponamos e reprimimos. Arrisco dizer que quando não conseguimos silenciar, isto pode apontar para um medo de entrarmos em contato com nós mesmos, com as nossas sombras, com o autoconhecimento. 

As palavras são pedras preciosas quando sabemos usá-las. Elas podem descortinar e transformar, mas também, podem ser inúteis e devastadoras. Portanto, em determinadas circunstâncias, a resposta solicitada deve ser o silêncio e um dedo apontando o caminho, como uma forma de dizer: encontre a sua própria resposta.

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