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Publicada em 10/04/2017 às 15h49. Atualizada em 12/04/2017 às 08h49

O Transtorno do Espectro Autista, a Terapia Ocupacional e a Integração Sensorial (IS)

Entenda o autismo, o distúrbio sensorial e o papel da terapia ocupacional nos dois casos.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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No dia 2 dia abril foi celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo e, infelizmente, ainda há pouco o que se comemorar e a luta por maiores investimentos, pesquisas e respeito aos direitos das pessoas no TEA ainda é árdua. 

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) atinge 70 milhões de indivíduos em todo o mundo, segundo últimos dados da ONU (2010). Nos EUA, a porcentagem é de 1 a cada 68 nascidos. No Brasil, infelizmente não existem dados precisos, mas uma pesquisa realizada em 2013 pela Associação de Amigos do Autista (AMA), em parceria com o governo federal, estima que existiam 1,2 milhão pessoas dentro do espectro em nosso pais, ou seja, 62 pessoas a cada 10.000. 

Mas o que é o Transtorno do Espectro Autista? 

"O TEA é um distúrbio global do desenvolvimento marcado por déficits na comunicação social e na interação social, com padrões restritos e repetitivos de comportamento." 

O TEA é um distúrbio global do desenvolvimento marcado por déficits na comunicação social e na interação social, com padrões restritos e repetitivos de comportamento. As causas são multifatoriais dependendo de pré-disposição genética e ambiental. O diagnóstico é feito através de observação clínica e entrevista com os genitores e/ou responsáveis. Os sintomas costumam surgir antes dos três anos de idade, e o diagnóstico pode ser feito já a partir dos 18 meses de idade, sendo que a incidência é maior no sexo masculino, na proporção de uma menina a cada quatro meninos nascidos. 

O DSM-V Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais passou a considerar também como marcadores as alteração do processamento sensorial. Estima-se que 60 a 70% das crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresente distúrbio sensorial (Adamson, 2006). 

O que é o distúrbio sensorial?

Esse distúrbio foi denominado Transtorno do Processamento Sensorial (TPS) pela terapeuta ocupacional americana Anna Jean Ayres, que, na década de 1960, passou a pesquisar as razões que fazem com que algumas crianças não consigam aprender como as outras e os problemas que isso causa ao desenvolvimento delas. Nascia, assim, a Teoria da Integração Sensorial. 

Para Ayres "A Integração Sensorial é o processo neurológico que organiza as sensações do corpo e do ambiente de forma a ser possível o uso eficiente do corpo no ambiente". Ou seja, algumas crianças possuem extrema dificuldade e até mesmo impossibilidade para organizar os estímulos recebidos pelo ambiente por seus sistemas sensoriais (visual, tátil, auditivo, olfativo, gustativo, proprioceptivo e vestibular) e responder de forma funcional a eles, impedindo a realização de atividades e a vivência de novas experiências.

"...algumas crianças possuem extrema dificuldade e até mesmo impossibilidade para organizar os estímulos recebidos pelo ambiente por seus sistemas sensoriais (...) e responder de forma funcional a eles..."

Todo indivíduo tem preferências sensoriais. Algumas pessoas preferem ouvir música alta, outras bem baixinho, algumas preferem de sabores azedos outras sabores doces. Contudo, o que diferencia as pessoas com TEA é a dificuldade de processar o impacto que a exposição a tais estímulos provoca na qualidade de vida, no aprendizado, nas atividades cotidianas e na socialização. 

Para ajudar essas crianças a integrarem melhor os estímulos do ambiente recebidos por seus sistemas sensoriais, Ayres, baseada em sua teoria, desenvolveu a terapia da Integração Sensorial, uma abordagem de intervenção que visa criar filtros e, assim, oferecer melhores condições para que a criança responda de forma positiva aos estímulos recebidos. É nesse momento que a Terapia Ocupacional tem papel fundamental, já que o TO é o profissional responsável por avaliar e tratar esse transtorno.

E como a Terapia Ocupacional vai atuar?

A Terapia Ocupacional, como profissão da área da saúde, está voltada para o “fazer” humano e atua com os objetivos de devolver, manter e/ou desenvolver habilidades que foram perdidas por qualquer motivo pelos seus clientes, buscando, assim, a (re)inserção e interação social, autonomia e independência deles. Sabemos que o principal fazer da criança é o brincar e, através do brincar, a criança recebe estímulos sensoriais e com essas informações, aprende e se desenvolve. 

Na Terapia Ocupacional infantil, o brincar é utilizado como ferramenta para  ajudar as crianças com TEA e com diferentes dificuldades a desenvolver e refinar habilidades motoras globais e finas, ampliar a autonomia e independência nas atividades de vida diárias (AVDs), no lazer e na escola, além de  estimular a interação social. Além disso, o terapeuta ocupacional atua criando estratégias, adaptações e acomodações sensoriais para que as crianças ultrapassem suas dificuldades sensoriais, visando desenvolver suas habilidades e potencialidades.

Quando o terapeuta ocupacional utiliza as técnicas e os princípios da terapia de IS visando organizar as crianças que estão desreguladas com hiporresponsividade ou hiperresponsividade, faz uso de materiais próprios da teoria de IS, como equipamentos suspensos de balanço, parede de escalada, rede de lycra, bolas, pranchas de equilíbrio que ajudam na manutenção do alerta e na organização e consciência corporal. Em outros momentos, também poderá empregar outros recursos, como empurrar caixas e pesos, usar texturas ou água em diferentes tecidos para acalmar e potencializar a capacidade de se autorregular.

Dessa forma, usando os princípios da Terapia Ocupacional e tendo como referencial teórico a teoria de Integração Sensorial o profissional terapeuta ocupacional proporcionará às pessoas com TEA uma possibilidade maior de organização, visando a sua independência, autonomia e inclusão social.

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