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Publicada em 23/07/2019 às 15h32. Atualizada em 25/07/2019 às 16h36

Principais barreiras para a doação de órgãos

Dificuldade de compreensão referente à morte encefálica é um dos principais motivos para a família aceitar não a doação de órgãos. Conheça mais sobre o assunto.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Você sabia que um único doador pode salvar ou melhorar a qualidade de vida de muitos pacientes? Sabia que a quantidade de órgãos que podem ser doados por esse único doador varia a depender da região do Brasil? Para entender sobre a realidade da doação de órgãos no país, o iSaúde Brasil conversou com a psicóloga Maria Constança Velloso Cajado.

iSaúde Brasil  Há algum cadastro de doador de órgão? Se sim, como funciona?

Maria Constança Velloso Cajado – De acordo com a legislação brasileira, para ser doador de órgãos e tecidos para transplantes não é necessário fazer cadastro nem deixar nada por escrito em nenhum documento.  No Brasil, a doação de órgãos e tecidos é consentida pela família depois da constatação médica do falecimento. Desse modo, é fundamental avisar em vida à família o desejo de ser um doador.  No caso de doador vivo, qualquer pessoa saudável que concorde com a doação pode doar um dos rins, parte do fígado, do pulmão e da medula óssea. Para a doação da medula é necessário fazer um cadastro. 

iSaúde Brasil – Como a família pode autorizar a doação?

Maria Constança Velloso Cajado – No caso da doação de órgãos, depois da comprovação da morte encefálica, realizada por meio de uma série de exames, o médico comunica à família a conclusão da investigação diagnóstica, informando a confirmação da morte encefálica. Depois do recebimento da notícia de morte e da expressão dos sentimentos familiares, um profissional, responsável pela condução da entrevista familiar para doação, informa cuidadosamente à família que, caso eles concordem, é possível realizar a doação de órgãos e tecidos. É fundamental deixar a família expressar livremente o que ela pensa sobre essa tomada de decisão a respeito do transplante. Quando em vida a pessoa mencionou o desejo de ser um doador, fica mais fácil para a família consentir.  

Nos casos dos pacientes que falecem sem estar ligados a aparelhos, é possível a autorização familiar para a doação de tecidos, córneas e ossos.

"Um único doador pode salvar ou melhorar a qualidade de vida de muitos pacientes e, a depender da região do país, ele pode doar todos os órgãos e tecidos ou apenas alguns."

iSaúde Brasil – Quantas vidas podem ser salvas com um doador?

Maria Constança Velloso Cajado – Um único doador pode salvar ou melhorar a qualidade de vida de muitos pacientes e, a depender da região do país, ele pode doar todos os órgãos e tecidos ou apenas alguns. Existem locais em que ainda não se transplantam pele e ossos. Entretanto, a família é informada que ela pode decidir quais órgãos e tecidos ela autoriza doar. Ocorre que algumas famílias escolhem doar o coração, o pulmão, os rins, mas preferem não doar as córneas. Então, a quantidade de órgãos a serem doados é muito relativa às condições clínicas do paciente e às questões operacionais da doação e do transplante.

iSaúde Brasil – Quais fatores impedem a doação de órgãos no Brasil?

Maria Constança Velloso Cajado – Diversos fatores contribuem para a recusa familiar para doação de órgãos e tecidos no Brasil: a falta de informação da população; a insatisfação na assistência hospitalar; a dificuldade de compreensão referente à morte encefálica; a entrevista familiar para doação inadequada; o desconhecimento do desejo do falecido em vida; a desconfiança sobre a seriedade do processo de doação/transplantes; o desejo de manter a integridade e\ou imagem do corpo; as crenças culturais e religiosas e a recusa em vida por parte do falecido. Tais fatores podem ter um índice de prevalência muito diferente de acordo com a região do país. Desse modo, as pesquisas podem revelar uma causa na região Sul ou Sudeste completamente diferente da região Norte ou Nordeste onde existe uma carência de campanhas publicitárias sobre o tema.

iSaúde Brasil – Além da autorização familiar, quais são os procedimentos para a doação?

Maria Constança Velloso Cajado – Antes da cirurgia da doação são avaliadas as condições clínicas do potencial doador e realizados exames para evitar a transmissão de doenças para o receptor do órgão ou tecido. A Central de Transplante Estadual identifica quais os pacientes que receberão os órgãos de acordo com os critérios estabelecidos pelo Sistema Nacional de Transplantes. A retirada dos órgãos é um procedimento cirúrgico muito delicado ocorrendo no centro cirúrgico com vários profissionais. Algumas equipes fazem um minuto de silêncio antes do início da cirurgia em agradecimento ao ato da doação que vai possibilitar vida e/ou qualidade de vida para outros pacientes.  

iSaúde Brasil – Quais órgãos e tecidos podem ser doados?

Maria Constança Velloso Cajado – Rins, coração, pulmões, fígado, pâncreas, intestino, pele, córneas, ossos, valva cardíaca e medula óssea.

iSaúde Brasil – Em quais casos o doador pode ser vivo? Quais requisitos esse doador precisa atender?

Maria Constança Velloso Cajado – Os órgãos que podem ser doados em vida são: rim, parte do fígado e parte do pulmão. A doação em vida, de acordo com a lei, deve ser feita para parentes até o quarto grau, cônjuges e não parentes somente com autorização judicial. A exceção é para a medula óssea que pode ser doada para qualquer pessoa no mundo. Um dos critérios de seleção para a doação intervivos é que sejam adultos e que estejam clinicamente em condições saudáveis para realizar a doação.

iSaúde Brasil – Como o paciente pode entrar na fila de espera por um órgão?

Maria Constança Velloso Cajado – Os pacientes que têm doenças que podem ser tratadas por meio de um transplante devem ser avaliados pelas equipes estaduais credenciadas pelo Ministério da Saúde para realizar cada tipo de procedimento. Depois dos critérios de avaliação, o paciente é incluído em lista de espera.

iSaúde Brasil – Como funciona a fila de espera?

Maria Constança Velloso Cajado – A fila é controlada pelo Sistema Nacional de Transplantes (Brasília) e pelas Centrais Estaduais de Transplantes. A lista é composta de um cadastro com os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde, com normas de seleção iguais para todos os cidadãos e prioritárias a depender do tipo de transplante e do índice de gravidade de cada caso.

iSaúde Brasil – Quais são os órgãos que possuem a fila de espera maior?

Maria Constança Velloso Cajado – Coração, fígado, pulmão, rins.

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