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Publicada em 26/11/2019 às 14h19.

Quais são as principais doenças do fígado

Além da dor abdominal do lado direito, quais outros sinais indicam problemas hepáticos?

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Geralmente, os problemas no fígado estão associados ao consumo excessivo de medicamentos e de bebidas alcoólicas. Mas outros problemas podem adoecer o fígado. Saiba quais são eles.

iSaúde – Quais são as principais atribuições do fígado?

Dr. André Lyra –
 As células do fígado, chamadas hepatócitos, contêm milhares de enzimas que são responsáveis pela metabolização das substâncias presentes no sangue. O fígado também é capaz de armazenar nutrientes e outras substâncias úteis, além de produzir proteínas e vitaminas essenciais para a nossa saúde. 

iSaúde – Antes de apresentar alguma doença é comum o fígado apresentar alguns sinais e sintomas, como dor abdominal do lado direito e barriga inchada. A quais outros sintomas devemos estar atentos para marcar uma consulta com o médico?

Dr. André Lyra –
 A maioria das doenças hepáticas crônicas, nas fases iniciais, não provoca sintomas. Alguns indivíduos que evoluem com hepatite aguda viral podem apresentar um desconforto no lado direito do abdome, na topografia do fígado. Todavia, dor forte é algo excepcional e, quando presente, normalmente é necessário afastar outra patologia. A “barriga inchada” habitualmente ocorre apenas numa fase mais avançada da doença hepática crônica. O olho amarelado (icterícia) pode ocorrer nas condições agudas ou crônicas do fígado e vias biliares e indica necessidade de avaliação médica imediata. 

iSaúde – Um dos principais problemas com o fígado é o acúmulo de gordura. Quais são as causas desse problema? Quem está sujeito a passar por esse quadro?

Dr. André Lyra – 
A esteatose hepática caracteriza-se por acúmulo de gordura no fígado.  Ela pode ser causada pela doença alcoólica do fígado ou doença hepática gordurosa não alcoólica. Esta última condição foi descrita pela primeira vez na década de 80. A esteatose hepática chamou a atenção dos médicos naquela década, quando coincidiu com uma epidemia de obesidade nos Estados Unidos. Portanto, há uma associação bem evidente entre a obesidade e a doença hepática. Outros importantes fatores de risco para o surgimento da doença hepática gordurosa não alcoólica são a diabetes melitus, dislipidemia e hipertensão arterial sistêmica. 

iSaúde – Como é realizado o diagnóstico de um quadro de gordura no fígado?

Dr. André Lyra – 
Habitualmente, o diagnóstico é realizado inicialmente, por meio de um exame de imagem, como ultrassonografia, por exemplo. Em algumas situações, pode ser necessário fazer exames adicionais, incluindo ressonância magnética e, até mesmo, uma biópsia hepática. Mas isso é avaliado caso a caso.  

"A maioria dos pacientes com esteatose hepática não terá maiores consequências em relação ao fígado, todavia, cerca de 10% a 20% desses pacientes pode evoluir com esteato-hepatite..."

iSaúde – Qual é o tratamento para esse quadro?

Dr. André Lyra – 
A maioria dos pacientes com esteatose hepática não terá maiores consequências em relação ao fígado, todavia, cerca de 10% a 20% desses pacientes pode evoluir com esteato-hepatite e, até mesmo, cirrose hepática ao longo de vários anos. Como não sabemos exatamente quem vai evoluir de forma desfavorável ou não, é importante que todos sejam tratados. Infelizmente, não existe uma droga eficaz no tratamento da esteatose hepática e esteato-hepatite. Em casos particularizados, pode ser usada a vitamina E ou a pioglitazona, embora os resultados sejam bem abaixo do desejável. O que comprovadamente melhora a esteatose hepática e esteato-hepatite de forma significativa é a ingestão de uma dieta adequada, pobre em gorduras saturadas e carboidratos, atividade física regular e perda de peso.

iSaúde – Por que é importante beber muita água e por que o consumo de álcool é tão nocivo nestes casos?

Dr. André Lyra –
 O consumo alcoólico abusivo pode resultar na doença alcoólica do fígado.  É valido ressaltar que essa condição (a doença alcoólica do fígado) é caracterizada por uma ingestão constante e significativa de bebidas alcóolicas, ou seja, uma ingestão diária ou de várias vezes por semana ao longo de vários anos. A enfermidade se inicia na forma de gordura e inflamação do no fígado para, então, progredir a uma cirrose hepática ao longo dos anos. 

iSaúde – Caso não seja tratado, qual serão as possíveis evoluções desse quadro?

Dr. André Lyra – 
Como mencionado, a doença alcoólica do fígado pode progredir para uma cirrose hepática ao longo dos anos. Esta, por sua vez, pode proporcionar complicações clinicamente relevantes, como hemorragia digestiva, devido à ruptura de varizes de esôfago, ascite (“líquido na barriga”), câncer de fígado, além da eventual necessidade de um transplante hepático nos casos mais graves. 

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