podcast do isaúde brasil

Publicada em 23/05/2019 às 16h35. Atualizada em 23/05/2019 às 16h39

Qual é a relação do ceratocone com o astigmatismo e a miopia?

Por que a córnea em formato de cone altera a visão?

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
Compartilhe

Para entender as causas e consequências do ceratocone, o iSaúde Brasil conversou com Dayse Cury, médica oftalmologista e professora do curso de Medicina da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Saiba mais.

iSaúde Brasil – Como pode ser definido o ceratocone?

Dayse Cury – Ceratocone é uma alteração na estrutura da córnea. A córnea é uma lente transparente que se encontra na frente da íris. No ceratocone, ocorre uma redução progressiva na espessura central da córnea, resultando no seu abaulamento anterior, assumindo um formato parecido com o de um cone. A apresentação é, geralmente, bilateral e assimétrica. 

iSaúde Brasil – Qual é a relação do ceratocone com o astigmatismo e a miopia?

Dayse Cury – As alterações na curvatura da córnea podem desenvolver alto grau de astigmatismo irregular e miopia, impedindo a projeção de imagens nítidas na retina, comprometendo, assim, a visão. 

iSaúde Brasil – O que leva uma pessoa a desenvolver esse tipo de problema?

Dayse Cury – Ainda não se conhece a causa exata do ceratocone. As alterações na superfície ocular podem ser o resultado de múltiplos fatores que irão contribuir para a desestruturação da córnea.  O histórico familiar está presente em 6% a 8% dos casos, sugerindo herança familiar. Seu aparecimento mais comum ocorre na puberdade, geralmente entre os 13 anos e os 18 anos de idade, tendendo a progredir por aproximadamente 6 a 8 anos e, após esse período, tende a permanecer estável.

iSaúde Brasil – Existem fatores de risco?

Dayse Cury – Existem inúmeros fatores que contribuem para o surgimento do ceratocone que vão desde o decréscimo no aporte de colágeno até o ato de esfregar ou coçar os olhos com frequência. Por isso, o risco de desenvolver ceratocone é maior nos pacientes alérgicos, que sentem muita coceira nos olhos. 

O ceratocone pode estar associado a doenças sistêmicas, como as síndromes de Down, Turner, Ehlers-Danlos, Marfan, além de atopias, osteogênese imperfeita e prolapso da válvula mitral. As condições oculares às quais o aparecimento desse problema pode estar relacionado são a ceratoconjuntivite vernal, a aniridia, a amaurose congênita de Leber e a retinose pigmentar. 

iSaúde Brasil – Como o paciente pode perceber que sofre desse tipo de problema? Quais são os seus sintomas?

Dayse Cury – Na fase inicial, o paciente, geralmente, não tem nenhum sintoma. Pode-se observar um aumento do grau das lentes dos óculos com maior frequência. A queixa mais frequente, com o avanço do ceratocone, é a visão borrada e distorcida.

iSaúde Brasil – Como é realizado o diagnóstico do ceratocone?

Dayse Cury – O diagnóstico é realizado pelo exame oftalmológico. Utilizamos alguns exames complementares, como, por exemplo: topografia, tomografia e paquimetria corneana, para acompanhamento e avaliação da progressão da doença.

iSaúde Brasil – Há formas de prevenir esse problema?

Dayse Cury – Ainda não se conhece maneiras de prevenir o aparecimento do ceratocone.  No entanto, recomenda-se o tratamento de processos alérgicos que possam causar a coceira, evitando, assim,  o hábito de coçar os olhos. 

iSaúde Brasil – Existe tratamento? E cura?

Dayse Cury – Inicialmente, quando a deformação da córnea não é grave, o uso dos óculos é o suficiente para melhorar a visão.  Quando ocorre o progresso do ceratocone, utilizamos lentes de contatos rígidas e hidrofílicas, próprias para o ceratocone e que ajudam a corrigir os defeitos corneanos. Os tratamentos cirúrgicos são indicados para os casos mais avançados da doença.

iSaúde Brasil – Quais são as recomendações médicas para que se tenha um diagnóstico precoce e/ou a prevenção do agravamento do quadro?

Dayse Cury – Consultar regularmente o oftalmologista para que se tenha um diagnóstico precoce e possa obter o controle da progressão da doença.

Referências:

Bechara, S.J. & Kara-José, N. Ceratocone. In: Belfort Júnior, R. & Kara-José, N. Córnea: Clínica-Cirúrgica. São Paulo, Roca, 1997. 619p. 

Dantas, P.E.C. & Malta, J.B.N.S.. Desordens ectásicas. In: Höfling-Lima, A. L., Nishiwaki-Dantas, M. C., Alves, M.R. Doenças externas oculares e córnea. Rio de Janeiro, Cultura Médica: Guanabara Koogan, 2008 (Oftalmologia brasileira). 579p.

Kanski, J. K . Oftalmologia clínica: uma abordagem sistemática. 6 ed. [tradução Maria Inês Corrêa Nascimento et al] – Rio de Janeiro, Elsevier, 2008.931p.

Coral-Ghanem, C. Ceratocone. In: Lentes de Contato (Série Oftalmologia Brasileira). Netto, A.L.; Coral-Ghanem, C, Oliveira, P. R. Rio de Janeiro, Cultura Médica: Guanabara Koogan, 2008

Compartilhe

Saiba Mais