podcast do isaúde brasil

Publicada em 13/06/2013 às 00h00.

Sabia que o álcool e o cigarro também fazem mal para a saúde de sua boca?

Muito consumido por brasileiros, o álcool encontra-se presente até em algumas cerimônias religiosas. Veja os prejuízos que as bebidas alcoólicas associadas ao cigarro podem causar à sua boca!

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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"Apesar de causarem dependência e diversos danos físicos e psicológicos, o etanol e o cigarro são os campeões de consumo das drogas legalmente permitidas".

 

De acordo com a definição da Organização Mundial de Saúde (OMS), o conceito de droga abrange qualquer substância que não seja produzida pelo organismo, que tem a propriedade de atuar sobre um ou mais de seus sistemas produzindo alterações em seu funcionamento. Existem drogas que possuem seu uso proibido por lei e aquelas cujo consumo é legalizado.

Entre as drogas lícitas podem ser citadas as bebidas alcoólicas, o cigarro e os demais derivados do tabaco (cachimbo, charuto e fumo de mascar). Apesar de causarem dependência e diversos danos físicos e psicológicos, o etanol e o cigarro são os campeões de consumo das drogas legalmente permitidas. 

Em conjunto ou isoladamente, os efeitos químicos provocados exercem implicações deletérias em todas as células do nosso corpo, inclusive naquelas que revestem a boca e as estruturas presentes nela.

Etanol 

Historicamente, tem sido documentada a ingestão de etanol em comemorações e cerimônias religiosas. Por muitas vezes, as bebidas alcoólicas representavam deuses, como na cultura greco-romana, na qual Baco é representado pelo vinho. O efeito primário do etanol no organismo é a sensação de segurança e desinibição, que faz com que o indivíduo externalize suas emoções. Muitos fazem uso das bebidas alcoólicas em busca deste resultado. 

Fig1. Deus grego Baco, que representa o vinho e as festas. Baco, pintura de Caravaggio na Galleriadegli Uffizi, Florença.

A bebida alcoólica é, na maioria das vezes, a primeira droga lícita experimentada pelos jovens e a de mais fácil acesso. No Brasil, o abuso de etanol é responsável por cerca de 90% das internações em centros psiquiátricos por dependência de drogas. Pesquisas científicas confirmam a associação do consumo de bebida alcoólica com a incidência aumentada de câncer de mama, fígado, esôfago e de boca. 

Determinadas concentrações de etanol podem ser responsáveis por alterações em processos celulares importantes, a exemplo do aumento da proliferação celular, da redução da capacidade de reparo do DNA e de distúrbios relacionados ao sistema imune e à condição nutricional. A interferência na dinâmica de cada um desses processos pode ser determinante para o desenvolvimento do câncer bucal. 

Outro agravante ao uso do etanol é o fato de este agente químico ser capaz de aumentar a permeabilidade da mucosa bucal, o que potencializa a ação de outras substâncias cancerígenas. Alguns autores relatam uma relação sinérgica entre o etanol e os produtos do tabaco, demonstrando um maior risco de desenvolvimento de lesões pré-cancerizáveis e tumores malignos orais.

A exposição dos tecidos bucais ao etanol também acarreta distúrbios nas glândulas salivares, como o aumento de volume e redução do fluxo salivar. A saliva participa da digestão de carboidratos e também protege as estruturas bucais. Ela é composta por elementos do sistema de defesa do organismo e um sistema de regulação do pH bucal. Sendo assim, a diminuição do seu fluxo e/ou alteração na qualidade de sua composição expõe o indivíduo a um maior risco de doenças bucais, como cárie e periodontite (inflamação e destruição da gengiva, osso e ligamento periodontal). 

Fig 2. Câncer de língua. Fonte: Arquivo do prof. Tércio Ramos.

Tabagismo

O cigarro possui mais de 4.700 substâncias tóxicas - entre as quais se encontram a nicotina, o alcatrão e o monóxido de carbono. O tabagismo é considerado a principal forma de morte evitável em todo o mundo. Não só o cigarro, como outros derivados do tabaco possuem efeitos sobre a saúde bucal do consumidor.

É comum em usuários crônicos de cigarro ou outro derivado do tabaco, o aparecimento de lesões com potencial de cancerização, tais como a leucoplasia e a eritroplasia, que são manchas esbranquiçadas e avermelhadas, respectivamente. O fumante também está exposto ao risco de doenças periodontais e à carie, pois tal hábito expõe os tecidos bucais a substâncias tóxicas, provoca vasoconstricção, altera a composição salivar e a microbiota oral e diminui a amplitude da resposta imune. 

Em casos de indicação para implantes dentários e enxertos ósseos, o paciente fumante corre maior risco de rejeição dos implantes e de enxertos ósseos do que um paciente não fumante. Manchas nos dentes e nas gengivas pelos compostos presentes na fumaça do cigarro, a alteração do paladar e halitose (mau hálito) também são frequentes alterações observadas em tabagistas.

 Fig 3. Periodontite associada ao tabagismo.

O consumo indiscriminado, juntamente com as evidências científicas relacionadas aos danos causados pelo cigarro e pelo abuso das bebidas alcoólicas, fez desse hábito deletério um grande problema de saúde pública.

Diversas campanhas foram desenvolvidas pela mídia e pelo governo, com estratégias que incluem criação de impostos sobre a venda de cigarros, leis “antifumo”, campanhas de mídia de conscientização em massa, restrições ao acesso de jovens ao fumo e à comercialização. No que se diz respeito às bebidas alcoólicas, a Lei Seca e a Lei Antiálcool (proibição de vendas de bebidas alcoólicas a menores de idade) são vigentes, sendo cada vez mais duras as penalizações aplicadas para aqueles que infringem a legislação.

A preocupação com a higiene e preservação das estruturais bucais deve ser um hábito de autocuidado inerente a todos. Todavia, é importante que pessoas que abusam de substâncias danosas aos tecidos bucais – como o etanol e o cigarro – estejam mais atentas, visto que a evolução e o aparecimento de doenças bucais são, na maioria dos casos, mais exacerbados e rápidos nesses indivíduos.

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