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Publicada em 01/07/2014 às 00h00.

Saiba como minimizar o risco de quedas para o idoso

Mudanças e simples adequações no ambiente podem evitar graves problemas. Veja como.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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O Brasil já é sexto país no mundo em taxa de envelhecimento populacional. Anualmente ganhamos 650 mil novos idosos. A mudança desse padrão demográfico vem alterando a demanda nos serviços de saúde, com maiores investimentos na busca por uma melhoria na qualidade de vida e da capacidade funcional dos idosos. O maior fator de restrição de mobilidade e isolamento social sofrido por essa população tem como causa principal as quedas, cujos agravos podem contribuir para a morte. 

As quedas em idosos acima de 65 anos representam a principal causa de mortalidade, segundo dados do Ministério da Saúde, sendo um dos principais problemas clínicos e de saúde pública do país. Em um ano, aproximadamente 30% dos idosos que vivem em comunidade irão cair e essa previsão ainda é maior entre 50% a 75%, se considerarmos o idoso institucionalizado. Dos idosos que caem, cerca de 5% são encaminhados para o hospital e, destes, um em cada três deles falecem no prazo de um ano.

O processo natural do envelhecimento leva a um declínio no sistema nervoso, além das alterações visuais, musculares e ósseas que controlam a postura. Ocorrendo déficits nesses sistemas, o idoso se torna mais vulnerável aos fatores estressores intrínsecos (alterações fisiológicas relacionadas com o avançar da idade) e extrínsecos que são relativos ao meio ambiente, influenciando diretamente o controle do seu equilíbrio e facilitando o seu cair.

A maior parte dessas quedas ocorre em casa e podem ser minimizadas com algumas modificações práticas, eficientes e de baixo custo do ambiente domiciliar tornando-o mais seguro para o idoso. 

Projeto Casa Segura

O Projeto Casa Segura, aprovado pelo Ministério da Saúde e que faz parte do Programa de Atenção Integral à Saúde do Idoso, fornece à sociedade orientações de como estruturar um ambiente mais adequado ao longevo, tais como:

Evite deixar o piso molhado, úmido ou escorregadio devido ao uso de produtos de limpeza (cera ou sabão);

A passagem nos cômodos deve estar livre. A disposição incorreta de móveis podem atrapalhar os corredores, as entradas e saídas dos ambientes. Não deixe objetos espalhadas nos trajetos por onde ele passa;

Os móveis pontiagudos ou com quinas devem ser protegidas por cantoneiras de silicone. O móvel, se possível, deve ser fixo na parede e bastante estável. Moveis instáveis podem levar o idoso à queda, caso eles se apoiem nessa mobília;

Os ambientes da casa devem ser muito bem iluminados, mas sem lâmpadas muito brilhantes, pois podem ofuscar os olhos. Os interruptores devem ser de fácil acesso. Abajures ou luminárias próximas da cabeceira da cama são fundamentais. À noite, uma luz deve permanecer sempre acessa ou as lâmpadas possuírem portarem sensor de presença;

Fios devem estar fixos e nunca na passagem dos cômodos;

Evite cadeiras, sofás e cama muito baixa. Sentado na cama o idoso deve ter condições de apoiar os pés no chão e deve se deitar e se levantar sozinho. Se necessário, instale um suporte para fornecer esse apoio. As cadeiras e sofás devem ter apoio lateral;

Os tapetes usados na casa devem ser antiderrapantes para evitar escorregões ou presos ao chão com uso de adesivos;

Os objetos mais usados pelo idoso devem estar em locais de fácil acesso (ex: roupas, utensílios domésticos, livros...)

No banheiro: é importante o uso de barras de apoio na parede do box e próximo ao vaso sanitário, use tapetes antiderrapantes no box, coloque uma cadeira plástica no box caso o idoso se sinta instável durante o banho, substitua as paredes de vidro do box por um material não deslizante;

Áreas com escadas também devem receber cuidados especiais: não usar tapetes no início ou no final da escada, mantê-las sempre muito bem iluminadas e instalar corrimão para servir de apoio;

Ambientes com cores escuras ou monocromáticas aumentam o risco de quedas em idosos.

É importante também que o idoso use sapatos antiderrapantes e sem saltos, faça exames físicos e clínicos regularmente, utilize de forma contínua suas medicações e pratique diariamente alguma atividade física sempre orientada por um profissional.

O processo do envelhecimento é dinâmico e progressivo dando vazão a uma série de modificações internas no organismo que influenciarão na forma com que o longevo vai se relacionar com o seu ambiente externo. Entretanto, essas mudanças não são necessariamente negativas, mais fazem parte do ciclo da vida e necessitam que sejam adaptadas ao dia a dia do indivíduo possibilitando que ele permaneça ativo por muito mais tempo.

É de fundamental importância analisar e modificar o ambiente em que vive o idoso, a fim de minimizar qualquer risco que o exponha à queda nesse local mantendo ao máximo a sua qualidade de vida sem que isso signifique a restrição da sua mobilidade.

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