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Publicada em 25/11/2014 às 00h00. Atualizada em 25/11/2014 às 08h53

Saiba mais sobre a esteatose, a famosa “gordura no fígado”

Pacientes com essa condição apresentam alteração morfofisiológica e degenerativa das células daquele órgão por conta de diversas alterações metabólicas.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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"...a esteatose consiste no acúmulo de triglicerídeos e outros lipídios (gorduras) nas células do fígado, sendo assim a enfermidade crônica mais comum desse órgão vital. "

Conhecida popularmente no Brasil e também nos Estados Unidos como “fígado gordo” ou “fígado com gordura”, a esteatose é uma condição de saúde que tem-se tornado cada vez mais frequente. Ela não é em si uma doença, mas uma alteração morfofisiológica e degenerativa das células do fígado (chamadas de hepatócitos), em consequência de diversas alterações metabólicas. Na prática, a esteatose consiste no acúmulo de triglicerídeos e outros lipídios (gorduras) nas células do fígado, sendo assim a enfermidade crônica mais comum desse órgão vital. 

O fígado é um dos órgãos mais nobres do nosso organismo e seu estado pode dizer muito sobre a saúde dos pacientes. Esse órgão apresenta alterações que podem mostrar se uma pessoa, seja ela magra ou gorda, está submetida a determinados riscos de saúde. Um dos sinais que a determinam é a existência de acúmulo de gordura no interior de suas células hepáticas, a chamada esteatose hepática. Infelizmente, boa parte dos problemas relacionados ao fígado são praticamente assintomáticos, necessitando de exames específicos para serem diagnosticados. Pessoas com sobrepeso têm três vezes mais chances de ter a doença do que aqueles com o peso normal.

Na medicina, o fígado está diretamente relacionado à endocrinologia e à cardiologia. O motivo é quase óbvio: apesar da gravidade em si de um indivíduo apresentar alto índice de gordura no fígado, o maior risco relacionado a essa situação não é necessariamente a evolução dessa condição para um câncer de fígado ou uma cirrose hepática, mas sim a sua muito mais provável sinalização de doenças também muito graves, em outros órgãos ou que os afetam, como o diabetes e o infarto agudo do miocárdio. 

Por bastante tempo, a esteatose hepática esteve relacionada com a ingestão crônica de bebidas alcoólicas, o que não corresponde à realidade das pesquisas médicas. Hoje em dia, a esteatose representa parte do grande espectro do que chamamos  doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), que, além da esteatose, inclui ainda a esteato-hepatite (com e sem fibrose) e que, potencialmente, pode evoluir para a cirrose ou o câncer de fígado (carcinoma hepatocelular).

Sua presença na população geral é considerada elevada e varia de 20% a 30%, o que a transforma numa das doenças hepáticas crônicas mais recorrentes em todo o planeta. A DHGNA está associada a diversos fatores de risco, divididos entre primários (como diabetes mellitus, obesidade e dislipidemia, que é um distúrbio caracterizado pelos níveis altos de gorduras no sangue) e secundários (toxinas ambientais, medicamentos, cirurgias e hepatite C). Hipertensão e hiperglicemia (níveis altos de açúcares na corrente sanguínea) também são fatores associados à DHGNA.

"Hoje em dia, a esteatose representa parte do grande espectro do que chamamos  doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), que, além da esteatose, inclui ainda a esteato-hepatite (com e sem fibrose) e que, potencialmente, pode evoluir para a cirrose ou o câncer de fígado (carcinoma hepatocelular)."

A DHGNA tem sido considerada uma importante doença hepática crônica em países industrializados e vem crescendo quase em paralelo com o crescimento da obesidade em todo o globo. Normalmente, é uma doença que não apresenta quaisquer sintomas significativos, podendo ocorrer em qualquer faixa etária, incluindo crianças e adolescentes. A DHGNA apresenta um espectro histológico muito similar ao da doença alcoólica do fígado, com a diferença de que ocorre em indivíduos sem história significativa de ingestão alcoólica. A ultrassonografia de abdômen é o método mais usado para seu diagnóstico.

A literatura médica ainda não avançou muito em desvendar as razões pelas quais um organismo normal começa a desenvolver a esteatose. Por algum motivo, o organismo desencadeia uma inflamação contra os hepatócitos com acúmulo de gordura, que são gradualmente eliminados. A depender da intensidade desse processo de destruição das células, pode ocorrer uma formação de fibrose (cicatrizes) que vão se acumulando e progredindo até a formação de nódulos (que vão caracterizar a cirrose). Muitos pesquisadores têm focado cada vez mais importância da esteato-hepatite não alcoólica, observada em indivíduos obesos. Nem a ultrassonografia, nem a tomografia computadorizada diferenciam a esteato-hepatite não alcoólica da esteatose não inflamatória. 

O acúmulo de gordura no fígado é entendido pelos especialistas como um dos principais marcadores de alterações na ação da insulina, presentes na chamada resistência insulínica, que é um denominador comum para a ocorrência de diabetes e doenças cardiológicas, a exemplo do infarto. O diagnóstico pode ser realizado, como já dito, a partir de uma ultrassonografia abdominal e um exame das enzimas do fígado. É fato que algumas pessoas – em geral as mais obesas - são mais propensas a ter a doença. A esteatose hepática está presente em 90% dos pacientes com obesidade mórbida e em 70% dos pacientes diabéticos. 

É por isso que o fígado passa a constituir um órgão essencial para avaliação e prevenção de diabetes e doenças cardiovasculares. Esses depósitos anormais de gordura no fígado são os sinais claros de que diabetes e doenças cardiovasculares estão em progressão no paciente. O tratamento da esteatose é obrigatório para melhorar esse quadro clínico e, embora não exista um remédio específico para curar a esteatose (tudo depende de uma mudança de hábitos e de uma dieta balanceada), existem medicamentos que facilitam a mobilização das gorduras do fígado, através de uma melhora da ação da insulina. Isso, aliado à perda de peso, regime adequado dos nutrientes alimentares e a prática regular de atividade física, faz aumentar as chances de controlar o acúmulo de gordura e, consequentemente, de evitar a progressão para doenças graves. Na esteatose grave, os lipídios chegam a representar até 40% do peso do fígado. Para se ter uma ideia, o peso desse órgão pode aumentar de 1,5 kg até quase 5 kg. A reversão da esteatose depende da eliminação de sua causa.

Muitos pacientes, cujo fígado tem grande quantidade de gordura e, não sabem, são surpreendidos pela notícia apenas ao realizarem a ultrassonografia do abdome, mas outros exames podem ser úteis para o diagnóstico. Entre eles, podemos citar as provas de função hepática (dosadas no sangue), hemograma, leucograma, glicemia, dosagem de ferro, ácido fólico, vitamina B12, exame de urina, exames de imagem (ecografia, tomografia computadorizada ou ressonância nuclear magnética) e, finalmente, biópsia hepática.

DIETA E PERDA DE PESO

No tratamento da esteatose, a terapia nutricional é um fator fundamental. Ao contrário do que se pode pensar, no entanto, a dieta para reduzir a gordura acumulada no fígado não deve necessariamente reduzir os níveis de consumo de gordura apenas e, sim, atentar para o consumo de carboidratos. Por estimular a produção de insulina, o carboidrato complica e agrava todos as etapas do depósito anormal de gordura no interior do fígado, intensificando-o. Como a maioria dos pacientes com esteatose é obesa, é preciso fazer com que percam peso. Com o emagrecimento, o paciente reduz também seu nível de gordura visceral e do fígado. 

Em geral, as dietas para tratamento de esteatose aumentam o teor de gorduras consideradas “boas”, que são aquelas presentes nos óleos vegetais, a exemplo  do milho, girassol, soja e canola; azeite de oliva, castanhas, abacate e nozes, sementes oleaginosas como a linhaça e, também, nos peixes de água gelada como cavala, sardinha, truta, salmão, atum e bacalhau frescos.

Entre os principais fatores relacionados às doenças crônicas do fígado, como a esteatose, estão presentes o consumo abusivo de álcool, diabetes mellitus descompensado, obesidade e desnutrição (com ênfase na deficiência de proteína). A esteatose hepática geralmente está relacionada a um quadro clínico conhecido como síndrome metabólica, um conjunto de doenças cuja base é a resistência insulínica e que depende de, pelo menos, três dos cinco fatores específicos, entre eles hipertensão, alteração do nível de triglicérides e/ou do HDL colesterol.

Outras possíveis causas de esteatose são a ocorrência de fibrose cística, distúrbios do armazenamento do glicogênio, uso de quimioterápicos, pacientes que estão submetidos a nutrição parenteral total ou que passaram por cirurgias do trato gastrintestinal (entre elas a cirurgia “bariátrica”, para a redução do estômago), que apresentam lipodistrofia congênita generalizada, síndrome de Cushing, síndrome de Reye, intoxicação por tetracloreto de carbono, gravidez, entre outras diversas causas. Independentemente da causa, especula-se que a esteatose hepática resulta da mobilização de ácidos graxos dos tecidos adiposos (tecidos gordurosos) ou de uma alteração do metabolismo das gorduras.

A insulina é o hormônio responsável por retirar a glicose do sangue e conduzi-la às células de todo o organismo. A ação da insulina é fundamental para a manutenção da vida saudável. No entanto, a insulina também é responsável por diversas outras ações no organismo e é atuante, por exemplo, no metabolismo das gorduras. A resistência insulínica a que nos referimos mais acima está relacionada, então, a uma dificuldade desse hormônio em exercer suas ações. A forma mais comum de resistência insulínica é a obesidade. 

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