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Publicada em 06/04/2015 às 00h00. Atualizada em 06/04/2015 às 12h03

Saiba mais sobre a hiperuricemia e hiperuricosúria

Detecção de níveis altos de ácido úrico na corrente sanguínea ou na urina podem indicar um ou outro quadro.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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O ácido úrico é uma das substâncias que são produzidas naturalmente pelo organismo humano. Ele surge da quebra das moléculas de purina, que é uma proteína presente em muitos alimentos, promovida por uma enzima chamada xantina oxidase. Uma vez aproveitadas, as purinas se transformam em ácido úrico. Parte desse composto continua no sangue, enquanto outra parte é eliminada através dos rins. Um dos motivos de haver um aumento no nível do ácido úrico no sangue é o próprio aumento de sua produção, quando do processo de quebra da purina. Outra possibilidade é que o indivíduo tenha uma taxa muito alta de eliminação pela urina. O uso de alguns medicamentos também pode levar afetar essa produção.

No caso de se detectar uma quantidade excessiva de ácido úrico em nosso sangue, temos o diagnóstico de hiperuricemia. Quando há um aumento na excreção da substância pelos rins, chamamos de hiperuricosúria. Essas duas condições podem estar relacionadas com a presença de algumas patologias, tais como a gota, que é uma artrite dolorosa, e da nefrolitíase, que são os cálculos renais, conhecidos popularmente como “pedra nos rins”. Formados por cristais de diversas substâncias, produzidas pelo organismo, inclusive os cálculos renais, podem ser microscópicos ou tão grandes que necessitam ser retirados cirurgicamente.

A concentração de ácido úrico em nosso corpo é determinada, por um lado, pelo equilíbrio entre a absorção e a produção das purinas e, de outro, pela destruição e a excreção dessa proteína. A hiperuricemia está associada a três elementos principais: o aumento da ingestão de alimentos ricos em proteínas, como carnes vermelhas, salsichas, calabresas, frutos do mar, alguns peixes, a exemplo da sardinha e do salmão; a má reabsorção renal do ácido úrico; e um distúrbio no caminho enzimático para a biossíntese das purinas (que pode ser causado pelo uso de algum medicamento). 

ASSINTOMÁTICA

Em algumas situações, a hiperuricemia é assintomática e nem sempre necessita de tratamento medicamentoso, mas, em outros casos, pode levar a algumas manifestações clínicas, tais como a artrite gotosa, que é uma inflamação da articulação. Geralmente, as articulações envolvidas são as dos pés, podendo ocorrer também no tornozelo, calcanhar, dedos das mãos e cotovelo. Os pacientes relatam dores articulares fortes com vermelhidão e calor local. 

"Um sinal clínico clássico da gota são os chamados “tofos”, que parecem nodulações envolvendo as articulações acometidas pelo depósito de cristais de urato."

Essas crises podem ser episódicas e o paciente pode passar meses sem tê-las, porém isso depende do tratamento adequado. Um sinal clínico clássico da gota são os chamados “tofos”, que parecem nodulações envolvendo as articulações acometidas pelo depósito de cristais de urato. Há casos em que o paciente portador do problema pode apresentar um quadro evolutivo para uma inflamação aguda e crônica dos rins, a nefropatia gotosa. Outra condição refere-se aos cálculos renais, que podem levar a uma dor lombar intensa ou abdominal, a chamada cólica renal. 

Estudos recentes mostram que níveis elevados da substância no sangue aumentam o risco de as pessoas desenvolverem doenças cardiovasculares. O ácido úrico tem sido considerado como um marcador ou um componente das alterações clínicas e laboratoriais da síndrome metabólica, que é uma reunião de patologias, tais como: obesidade abdominal, hipertensão arterial sistêmica, hiperglicemia e níveis elevados de colesterol e triglicerídeos. Observa-se que a prevalência de hiperuricemia está aumentada em pacientes portadores dessa síndrome e, por isso, eles têm um risco maior em desenvolver problemas cardiovasculares, tais como a doença das artérias coronárias e o acidente vascular cerebral (AVC).

DIAGNÓSTICO

É necessário, inicialmente, fazer um exame de sangue para identificar se o paciente é portador de hiperuricemia (o diagnóstico só será positivo quando os níveis de ácido úrico estiverem acima de 7,0mg/dL). Além disso, é necessário analisar sua história clínica, por exemplo, se ele apresenta patologias associadas, como as citadas anteriormente, ou se tem familiares portadores de gota. Caso haja a presença de outras enfermidades, exames específicos serão necessários para detectar os outros problemas.

Uma vez diagnosticado o excesso de ácido úrico no organismo do paciente, o tratamento vai variar, a depender da situação do paciente. Para isso, o médico deve analisar se o indivíduo é apenas portador de hipeuricemia assintomática ou se apresenta alguma patologia associada que mereça um cuidado específico. Mas, no geral, é indicado aos portadores desse distúrbio que evitem a atividade física excessiva, assim como a ingestão de alimentos ricos em purina (carne vermelha, frutos do mar, miúdos, embutidos, peixes, como sardinha e salmão). 

"É recomendado também que se evite o consumo de bebidas alcoólicas, o uso de alguns diuréticos, principalmente os tiazídicos e de anti-inflamatórios não esteroides de forma indiscriminada."  

É recomendado também que se evite o consumo de bebidas alcoólicas, o uso de alguns diuréticos, principalmente os tiazídicos e de anti-inflamatórios não esteroides de forma indiscriminada. Recomendamos, também, que o paciente beba bastante água para hidratar o corpo e ajudar a eliminar o excesso de ácido úrico. Com relação ao tratamento medicamentoso, temos alguns remédios para a redução dos níveis de ácido úrico, como, por exemplo, o alopurinol, ou o uso de remédios capazes de aumentar a sua excreção renal. 

No caso de o paciente apresentar litíase renal, é necessário consultar um nefrologista ou um urologista para tratamento específico. Caso o indivíduo seja obeso ou manifeste alterações do colesterol, diabetes mellitus e hipertensão arterial sistêmica, deve procurar um endocrinologista e um cardiologista para que possa fazer um tratamento adequado e específico. O papel da nutricionista também é fundamental para orientar uma dieta, tanto para hiperuicemia quanto para cada condição associada.

SAIBA MAIS SOBRE A GOTA

A gota é uma doença caracterizada pelo aumento do nível de ácido úrico na corrente sanguínea (hiperuricemia), que leva a um acúmulo de cristais de monourato de sódio nas articulações, responsável pelos surtos de artrite aguda secundária. Nem todos os indivíduos com hiperuricemia serão portadoras de gota, que acomete principalmente homens adultos numa taxa de cerca de 20%. A gota é mais frequente em homens de 35 a 50 anos, mas as mulheres pós-menopausa também podem apresentar essa doença. 

Em geral, o primeiro sintoma da gota é um doloroso inchaço do dedão do pé, crise que dura de três a dez dias. Após esse período, é comum a crise desaparecer, ressurgindo meses ou anos depois, comprometendo eventualmente outras articulações. Normalmente as crises de artrite acometem os membros inferiores, mas isso não é uma regra. Se o paciente não procurar tratamento, as crises tendem a aparecer em intervalos cada vez mais curtos e com maior intensidade.

Alguns pacientes portadores de gota não tratada são conhecidos por terem suas articulações deformadas e apresentarem depósitos de cristais de monourato de sódio nas cartilagens, tendões, articulações e bursas (fendas no tecido conjuntivo entre os músculos, tendões, ligamentos e ossos).

O diagnóstico de gota, na primeira crise, é feito ao se encontrarem cristais de ácido úrico no líquido aspirado da articulação afetada. Sem isso, não é possível determinar o diagnóstico sem antes descartar outras possíveis causas. O exame de raio-X pode ajudar a completar o diagnóstico.

Não existe cura definitiva para a gota, uma vez que a maior parte dos casos ocorre devido a falhas no processo de eliminação ou na produção do ácido úrico. O tratamento geralmente envolve indicação de dieta e medicamentos para diminuir a taxa de ácido úrico no sangue e, com isso, evitar as crises, mais hidratação (dois a três litros de água por dia) e redução do peso. Durante a crise articular da gota, são utilizados medicamentos anti-inflamatórios. 

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