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Publicada em 14/10/2019 às 11h08. Atualizada em 21/10/2019 às 11h06

Sarampo e saúde oral?

Saiba mais sobre a epidemia, formas de contágio, tratamento e como o dentista pode auxiliar no diagnóstico.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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O sarampo é uma infecção viral de notificação compulsória. É uma doença altamente contagiosa, sendo provocada por um paramixovírus, e apresenta uma prevalência inversamente proporcional ao uso da vacina. Em 2016, o Brasil recebeu o certificado de eliminação da circulação do vírus no país, pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Entretanto, em 2018, novos casos foram registrados nos estados do Norte, quando a Venezuela experimentava o surto do sarampo. Algumas evidências mostram que a maioria dos casos foi importada da Venezuela, já que, após a caracterização viral, observou-se a presença do genótipo D8 no Brasil, o mesmo encontrado na Venezuela. Nos primeiros meses de 2019, a transmissão foi interrompida, porém, recentemente, casos decorrentes de Israel, Malta e Noruega iniciaram um novo surto no Brasil. No período de junho a agosto de 2019, foi confirmado um total de 2.331 casos, sendo que 99% destes casos estão concentrados em municípios do estado de São Paulo, especialmente na região metropolitana. Em Salvador, segundo os dados preliminares atualizados em 30/08/2019, foram observados:

•    Notificados: 101 casos.
•    Descartados: 54 casos.
•    Em investigação: 54 casos.
•    Primeira amostra reagente (em investigação): 6 casos.
•    Confirmados: 1 caso.

A transmissão da doença se dá por aerossóis decorrentes de secreções respiratórias, no período de dois dias antes do aparecimento dos sintomas e até quatro dias após o aparecimento das erupções cutâneas.

Sintomas: febre, coriza, conjuntivite, tosse e erupções maculopapulares eritematosas. Além desses sintomas, algumas complicações podem ser relatadas: otite, pneumonia, bronquite e diarreia.


  
Diagnóstico: Na década de 1970, o diagnóstico era feito por meio de sinais físicos e cursos clínicos e, ocasionalmente, era confirmado por vínculos epidemiológicos. No entanto, pacientes com sarampo que receberam vacina geralmente não apresentam a erupção cutânea típica, e o diagnóstico dessa doença pode ser desafiador em áreas com baixa incidência e alta cobertura vacinal. Assim, atualmente, o método RT-PCR fornece detecção direta e indiscutível do vírus do sarampo em amostras humanas. 

Tratamento: líquido e antipiréticos que não contenham aspirina.
A prevenção por meio de campanhas educativas e de vacinação é indispensável para o controle da infecção. As vacinas utilizadas para o combate ao sarampo permitem proteção para todos os genótipos de vírus circulantes no mundo. Sua efetividade é condicionada pelo número de doses prévias e pela idade para a vacinação, sendo eficaz por cerca de 80% em pessoas vacinadas antes dos 12 meses de idade, 92,5% em pessoas vacinadas após os 12 meses de idade e entre 95% a 99% em pessoas vacinadas com duas doses da vacina. Atualmente, o surto vivenciado no Brasil provocou o estabelecimento de algumas estratégias de Políticas Públicas de Saúde, sendo recomendada a: 

•    aplicação da Tríplice Viral (sarampo, caxumba e rubéola) em crianças de seis a onze meses;
•    intensificação da vacinação em pessoas de 6 meses até 49 anos; 
•    realização do bloqueio vacinal dos contatos.

Mas qual é a ligação do sarampo com a odontologia?

Em muitos casos, o cirurgião-dentista pode atuar de forma crucial no processo de diagnóstico desse quadro viral, já que, antes das lesões exantemáticas, surgem alterações, como máculas branco-azuladas, circunscritas por halo vermelho e com fundo eritematoso difuso, localizadas na região próxima aos molares, e que, às vezes, se estende por toda a mucosa oral denominadas como manchas de Koplik. Esse sinal desaparece de 24 horas a 48 horas antes do aparecimento das lesões cutâneas. Apesar de essas lesões apresentarem uma especificidade de cerca de 80% para o sarampo, ainda é necessário o diagnóstico diferencial, já que alguns estudos correlacionam tais “manchas” a outras manifestações virais. 

Referências:

Disponível em:  https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/setembro/19/BE-sarampo-25-18set19.pdf

Disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/janeiro/10/Informe-Sarampon35-9jan19gab.pdf (acessado em 5/09/19)

Disponível em: http://ftp.medicina.ufmg.br/observaped/artigos_infecciosas/SARAMPO_22_8_2014.pdf (acessado em 5/09/19)

NEVILLE, B. W. et al. Patologia oral e maxilofacial. 2. ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. 798.

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MMWR, May 7, 2010, Vol 59 #RR03 MMRV – Use of combination Measles, Mumps, Rubella and Varicella Vaccine Recommendations of the ACIP.

Kimura H, Shirabe K, Takeda M, et al. The association between documentation of Koplik spots and laboratory diagnosis of measles and other rash diseases in a national measles surveillance Program in Japan. Front Microbiol 2019;10.

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Disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/setembro/02/BE-2019-24-Sarampo-02set19-ajustado.pdf


Guleria, S., Bhattarai, D., Pilania, R. K., & Jindal, A. K. (2018). Koplik Spots. JCR: Journal of Clinical Rheumatology, 1. doi:10.1097/rhu.0000000000000855.

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