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Publicada em 21/05/2020 às 17h26. Atualizada em 21/05/2020 às 17h37

Saúde reprodutiva na adolescência

A importância de promover nas escolas um espaço de ações educativas.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A adolescência é um período que abrange a faixa etária de 10 a 19 anos. No Brasil, a saúde reprodutiva do adolescente vem se firmando como um necessário campo de investimentos, estudos e debates. Cada vez mais, rompe-se com a percepção da adolescência como uma fase estritamente problemática e de dependência, passando a considerar os adolescentes sujeitos de necessidades e direitos específicos, como, por exemplo, de um atendimento de saúde que leve em conta suas singularidades. Nesse sentido, estratégias e programas precisam ser desenvolvidos em ambientes como as escolas, com o objetivo de promover a saúde dos jovens bem como estreitar os laços entre os profissionais e o público adolescente.

De acordo com dados das diretrizes nacionais para a atenção integral à saúde de adolescentes e jovens na promoção, proteção e recuperação da saúde, a maior parte das meninas brasileiras iniciam a vida sexual entre os 12 e 16 anos de idade e, os meninos entre os 15 e 17 anos de idade. Estudo conduzido em Salvador-BA evidenciou média de início de atividade sexual de 13 anos entre gestantes adolescentes. Além de alta taxa de gestação não-planejada (82%) e baixo nível de conhecimento sobre métodos contraceptivos. O início da vida sexual, assim como as questões referentes a exposição às Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) são temáticas que precisam ser mais trabalhadas com o público jovem. No Brasil, houve um aumento expressivo no número de casos de AIDS em jovens de 15 a 24 anos na última década, que triplicou de 2006 para 2016. Cerca de 40% de todas as novas infecções da América Latina estão concentradas no Brasil.

"Como a maior parte da adolescência é vivenciada durante o período escolar, as instituições de ensino possuem grande papel nessa fase da vida."

Como a maior parte da adolescência é vivenciada durante o período escolar, as instituições de ensino possuem grande papel nessa fase da vida. É possível que essas instituições criem estratégias educativas pautadas no diálogo, no vínculo, na escuta e no acolhimento, para que os adolescentes encontrem espaços de conversação que possibilitem a construção do conhecimento sobre saúde sexual, afetiva e reprodutiva, garantindo, assim, que eles possam exercer a sexualidade de maneira mais segura, responsável e consciente.

No Brasil, há poucas escolas que investem em ações de educação reprodutiva. Uma das dificuldades encontradas ainda é o imaginário social de que falar sobre sexo com os adolescentes estimula-os a 'fazerem sexo'. Entretanto, a idealização de programas voltados para a educação sexual nas escolas é favorável a posteriores mudanças positivas, tendo como consequência o aumento da adesão do uso de preservativos e contraceptivos, entre os adolescentes. Uma ação importante é a parceria das escolas com a atenção primária, através de visitas periódicas e permanente de equipes de saúde da família para avaliar as condições de saúde dos adolescentes, atualização de vacinas e orientações bem como proporcionam o atendimento à saúde ao longo do ano letivo, de acordo com as necessidades.

Investir na educação em saúde reprodutiva dos adolescentes significa investir em prevenção de ISTs e gestação não-planejada. Possibilitando, dessa forma, um futuro com mais oportunidades para essas pessoas. 

Referências:

1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção em Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes nacionais para a atenção integral à saúde de adolescentes e jovens na promoção, proteção e recuperação da saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2010.

2. Ruzany, M.H. Atenção a saúde do adolescente: mudança de paradigma. ln: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção a Saúde. Departamento de Ações Programáticas. Estratégias de Saúde do adolescente: competências e habilidades. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2008

3. Brito, M. B. B.; Alves, F. S. S.; Souza, M. Q.; Requiao, S. R. Low Level of Knowledge of Contraceptive Methods among Pregnant Teens in Brazil. J Pediatr Adolesc Gynecol. 2018 Jun;31(3):281-284.

4. CHOI, K.H.; COATES, T.J. Prevention 01. HIV Infection. Aids, London. V. 8, 1994, p. 1371-1389.

5. UNAIDS (2016). Prevention Gap Report. Genebra: UNAIDS, 2016. Disponível em www.unaids. org/sites/default/filesmedia_asset/2016-preventiongap-report_en.pdf

6. Paiva, V. t difícil se perceber vulneravel. ln: .Fazendo arte com a camisinha: sexualidades Jovens em tempos de Aids. São Paulo: Summus, 2000. p. 106-140.

7. Nogueira, M.J., Martins, Am., Rodrigues, Ar, Barcelos, Sm, Modena, Cm., Schall V.T . Escolas e Unidades Básicas de Saúde: diálogos possíveis e necessários para a promoção da saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes. Rio de Janeiro: vol. 36, núm. 92, 2012.

8. Mantovani, G. D., Tres, B., Silva, R. M. M., & Moura, C. B. Comparação de dúvidas sobre sexualidade entre crianças e adolescentes. Contexto & Educação, 29(92),72-90, 2014. 

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