podcast do isaúde brasil

Publicada em 22/01/2014 às 00h00. Atualizada em 23/01/2014 às 18h59

Será que já é hora de mandar seu filho para a escola?

Qual a idade mais indicada para iniciar a vida escolar de seu filho? Como escolher a escola mais adequada?

CONTEÚDO HOMOLOGADO
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Para responder a estas e outras perguntas sobre a educação e o bem-estar de crianças e adolescentes em idade escolar, o iSaúde Bahia conversou a pedagoga Prof.ª Luiza Ribeiro. Confira o bate-papo.

iSaúde Bahia - Qual a idade mais indicada para a criança ir para uma escola fundamental ou creche infantil?

Prof.ª Luiza Ribeiro - Nos dias atuais, com a necessidade da inserção dos adultos da família no mundo do trabalho - pai, mãe, avô, avó, tios- os cuidados com a educação da criança têm sido transferidos cada vez mais cedo para as instituições educacionais como creches, escolas e cursos diversos, desde a natação para bebês ao inglês, ou mesmo as famosas "bancas de reforço". Aliás, no segmento das instituições privadas, até mesmo esta função tem sido delegada às escolas que, para suprir esta demanda, oferecem turnos integrais, responsabilizando-se por todo o encaminhamento da educação formal das crianças. É lamentável que essa possibilidade seja rara na educação pública, o que gera um problema social contínuo.  

O fato é que nosso atribulado cotidiano nos impôs um novo modo de  vida, com o qual precisamos aprender a lidar com menos culpa e menos nostalgia, do tipo "no meu tempo era melhor".

"...cabe uma aproximação maior entre família e escola com base no respeito e confiança, buscando, cada um em seu papel, responsabilizar--se de forma clara por seus deveres..."

Diante dessa realidade, cabe uma aproximação maior entre família e escola com base no respeito e confiança, buscando, cada um em seu papel, responsabilizar-se de forma clara por seus deveres, uma vez que esta é uma relação de reciprocidade, de complementaridade - e não de sobreposição. A escola jamais substituirá a função da família e a família jamais substituirá a função da escola. 

É claro que na primeira infância o convívio constante com a família é fundamental para a estruturação psicoafetiva da criança. A formação de valores, hábitos e atitudes são de responsabilidade primeira da família. A escola, neste sentido, passa a ser um lugar  de exercício e expansão da socialização, do desenvolvimento cognitivo e da aprendizagem. Aprende-se a conviver no coletivo, a adquirir autonomia - algo fundamental para o crescimento humano.

Oficialmente o Ministério da Educação (MEC)  preconiza que a criança seja inserida na Educação Infantil  a partir dos 2 anos e na Educação Fundamental aos 6 anos. No segundo caso essa condição passa a ser obrigatória. No caso da Educação Infantil as políticas públicas educacionais estão longe de suprir essa necessidade, pois não há creches suficientes para atender à demanda social. O setor privado assume parte dessa demanda oferecendo o serviço que, por sua vez, deve ser especializado em se tratando de bebês e crianças, o que onera ainda mais as famílias. 

Neste contexto, portanto, a escolha do momento adequado para a criança ir para a creche ou para a escola, salvo a obrigatoriedade da alfabetização, dependerá da realidade de cada família. Por outro lado, o que se vê é que as crianças adaptam-se rapidamente ao ambiente escolar e gostam muito!

iSB - Existem diversas linhas pedagógicas. Que caminho os pais devem seguir para encontrar a mais adequada ao seu filho?

Prof.ª Luiza Ribeiro - Em primeiro lugar, a família deve  ter claro o tipo de formação educacional que quer oferecer ao seu filho. Nesta direção, os pais devem buscar a escola que siga princípios e valores que se aproximem dos seus. Eles  precisam acreditar, confiar e identificar-se com a proposta da escola. Caso contrário, a despeito da linha pedagógica escolhida (seja a "da  moda" ou a "tradicional"), não havendo parceria entre a família  e a escola, o processo educativo da criança sofrerá interferências negativas de ambas as partes. É preciso lembrar que  a família é a principal referência da criança e, se os pais estiverem tranquilos com a escola, a criança ficará mais confiante e à vontade para crescer naquele ambiente.

" É preciso lembrar que  a família é a principal referência da criança e, se os pais estiverem tranquilos com a escola, a criança ficará mais confiante e à vontade para crescer naquele ambiente".

 

Uma vez feita esta reflexão, os pais devem procurar ler sobre as possíveis linhas pedagógicas  com as quais eles se identificaram, conversar com pessoas da área de educação para esclarecimentos  e orientação, sejam amigos, antigos professores, colegas ou profissionais como pedagogos, psicopedagogos e psicólogos. Devem visitar as escolas, observar o ambiente, o clima entre as crianças, conversar com as famílias que têm filhos nestas escolas e também com os diretores, coordenadores e professores. Precisam, ainda, estabelecer parâmetros de comparação próprios dentro das suas expectativas, para facilitar a escolha, pois, de fato, não há a escola perfeita, completa.

É muito importante também desvendar mitos sobre as linhas pedagógicas e saber diferenciar "método", de "abordagem" ou" teoria". É muito comum, por exemplo, referir-se ao "Construtivismo" como um método, o que distorce e reduz a compreensão desta ampla teoria sobre o desenvolvimento sócio-afetivo- cognitivo e psicomotor do indivíduo. Do mesmo modo, também é comum reduzir a visão  sobre as escolas "religiosas" como lugares que impõem os valores daquela religião aos alunos. A abordagem educativa dessas instituições nos dias de hoje tem mais a ver com a formação de valores humanos do que com a cristalização de credos religiosos.

Outra distorção é a escolha precoce, desde a Educação Infantil, por escolas que preparam para o vestibular. Até mesmo esses processos seletivos têm mudado, a exemplo do ENEM, do SISU, do Processo Seletivo Formativo da Bahiana, que buscam avaliar e estimular muito mais a capacidade interpretativa, crítica e resolutiva da leitura de mundo do aluno do que apenas fomentar uma visão cartesiana sobre o conhecimento. 

"Outra distorção é a escolha precoce, desde a Educação Infantil, por escolas que preparam para o vestibular. Até mesmo esses processos seletivos têm mudado..."

Os pais devem encarar esse processo de escolha da escola "adequada" para seu filho como um desafio complexo. Entretanto, devem também ter a sabedoria de, ao perceberem que a escolha não deu certo, partir para outra. 

A ”escola certa”, no final das contas, é aquela em que criança e família sentem-se bem e confiantes no convívio diário.

iSB - Muitos pais se preocupam com a estrutura física que vai receber seus filhos. Nesse sentido, a quais aspectos eles devem estar atentos?

Prof.ª Luiza Ribeiro - Este é um aspecto muito importante no processo de escolha da escola. No entanto, não deve ser limitante.

Devemos pensar que, infelizmente, em nossas cidades, temos poucas escolas públicas ou privadas com espaços realmente adequados para o desenvolvimento psicomotor pleno de nossas crianças, pois, nas últimas décadas, os espaços urbanos disponíveis estão reduzidos a estruturas cercadas por concretos e cercas, tais quais nossos condomínios com seus playgrounds e com pouquíssima área onde a natureza prevaleça. As escolas confessionais, neste aspecto, têm estruturas superbacanas para as crianças e adolescentes.

Os pais devem observar o mobiliário adequado para a faixa etária, a refrigeração das salas e dos ambientes fechados, a adequação dos sanitários, a limpeza e a higienização dos diversos espaços, a preservação do patrimônio. Devem verificar se há espaço externo para atividades físicas, coberto ou não, se há política de prevenção de acidentes e procedimentos de segurança. Sobretudo, devem observar como as pessoas que cuidam da infraestrutura e da higienização são capacitadas e como elas convivem com as crianças e adultos nesse ambiente. Ressalto esse aspecto porque os cuidados com o ambiente físico, nesse caso, refletem o nível de comprometimento e afeto das pessoas com seu trabalho e, consequentemente, com as pessoas que nele convivem. A escola deve estar atenta a esta dimensão, pois se trata, inclusive, de uma questão de promoção de saúde e educação. 

Veja a segunda parte da entrevista: Como saber se a escola de seu filho é segura?

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