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Publicada em 27/08/2019 às 14h30. Atualizada em 28/08/2019 às 10h50

Tabagismo: um problema de saúde pública

Por que é tão difícil parar de fumar? Quais os reais danos à saúde provocados pelo tabagismo? Saiba tudo sobre esse problema e confira algumas dicas para parar de fumar.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Na data de 29 de agosto é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo. Sua passagem é percebida por meio de campanhas nos diversos meios de comunicação, com o objetivo de combater o tabagismo e seus males. Por isso, o iSaúde conversou com a médica e professora do curso de Medicina da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública Maristela Sestelo. Nesse bate-papo, além de a pneumologista falar a respeito dos males do hábito de fumar, ela apontou algumas dicas para combater o vício.

iSaúde – Por que o tabagismo é considerado um problema de saúde pública?

Maristela Sestelo –
 O tabagismo é um problema de Saúde pública, pois é uma epidemia! Se fuma no mundo todo! Esse ato de fumar traz consequências danosas à saúde de milhares de pessoas que fumam e indivíduos no seu entorno (fumantes passivos), além dos danos ao meio ambiente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), morrem mais de 10 mil pessoas por dia, por causa do tabagismo. Ao final de um ano, a estimativa é de mais de 4 milhões de mortos. No Brasil, as doenças causadas pelo fumo matam mais de 200 mil pessoas por ano, com idades que variam de 35 a 60 anos. Diversos tipos de câncer (de pulmão, boca, laringe), derrames cerebrais, doenças do coração (angina, infarto), bronquite e enfisema são algumas das doenças ligadas ao uso do cigarro.

iSaúde – Como a nicotina atua no organismo? É verdade que se ela não estivesse presente no cigarro a propensão ao vício seria menor?

Maristela Sestelo –
 a nicotina atua nos receptores colinérgicos do cérebro,  estimulando a produção de mais dopamina, um dos maiores mediadores químicos das células, atuando, assim, nos centros de prazer do cérebro. Sem a nicotina, o cérebro do dependente recebe menos dopamina. Para compensar, o organismo produz mais noradrenalina. Esse ciclo vicioso se mantém graças ao efeito de prazer e recompensa no cérebro. Por isso, quando alguém para de fumar, fica nervoso ou irritado e já adquiriu o pensamento de que o tabaco reduz o estresse. E, assim, o estresse leva ao desejo de fumar para aliviar esse estresse.

iSaúde – Além do câncer de pulmão, quais são as principais doenças causadas pelo tabagismo?

Maristela Sestelo –
 O tabagismo tem relação com aproximadamente 50 enfermidades, dentre elas vários tipos de câncer (pulmão, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga, colo de útero, leucemia), doenças do aparelho respiratório (enfisema pulmonar, bronquite crônica, asma, infecções respiratórias) e doenças cardiovasculares (angina, infarto agudo do miocárdio, hipertensão arterial, aneurismas, acidente vascular cerebral, tromboses). Há ainda outras doenças relacionadas ao tabagismo: úlcera do aparelho digestivo; osteoporose; catarata; impotência sexual no homem; infertilidade na mulher; menopausa precoce e complicações na gravidez. Os fumantes adoecem com uma frequência duas vezes maior que os não fumantes, têm menor resistência física, menos fôlego e pior desempenho nos esportes e na vida sexual do que os não fumantes. Além disso, envelhecem mais rapidamente e ficam com os dentes amarelados, cabelos opacos, pele enrugada e impregnada pelo odor do fumo.

iSaúde – O tabagismo é um vício compulsivo?

Maristela Sestelo – 
Sim. O tabagismo é considerado pela OMS, uma dependência química, que é incluída no CID 10 como F17. A nicotina é uma droga psicoativa, e a pessoa vai se tornando dependente com o decorrer do tempo, conforme o cigarro vai sendo utilizado. A dependência vem do hábito, dos efeitos físicos e psicológicos que o cigarro traz.

iSaúde – Existe crise de abstinência para quem deixou de fumar recentemente?

Maristela Sestelo – 
Sim, ela pode ocorrer em maior ou menor intensidade, dependendo da quantidade de cigarros fumados por dia e o tempo de uso. Os sintomas mais comuns de abstinência do cigarro são: dor de cabeça, irritabilidade, dificuldade de concentração, ansiedade e alteração do sono. Esse conjunto de reações desconfortáveis, que podem incluir o aumento do apetite, tristeza e até depressão, é chamado de síndrome de abstinência da nicotina. Os primeiros dias podem ser os mais difíceis, mas isso significa que o corpo está se adequando a uma nova forma de funcionar. Por mais desconfortável que seja, a síndrome de abstinência da nicotina é um sinal de que o organismo está voltando a funcionar normalmente.

iSaúde – Quem fuma mais: o homem ou a mulher?

Maristela Sestelo –
 Os homens ainda fumam mais, mas, nos dias atuais, o número de mulheres fumantes está crescendo. Homens e mulheres têm formas distintas de lidar com o tabaco. Na mulher, o uso de cigarros, muitas vezes, está associado à mudança de humor, e essa tendência pode criar dificuldades diferenciadas diante da abstinência. Além disso, ao parar de fumar, geralmente existe um ganho de peso que pode ser um fator dificultador para que as mulheres consigam parar de fumar.

iSaúde – Qual seria o passo a passo para deixar de fumar?



Maristela Sestelo –
 Desejar realmente de fumar é o mais importante. Sem isso não há tratamento que funcione. Mas veja os seguintes passos:

1.    Escreva, num papel, os motivos de fumar e os motivos para deixar de fumar. Isso ajuda a clarear as ideias.

2.    Identifique seus hábitos com o cigarro. Quantos cigarros fuma por dia, se fuma depois de café, quais cigarros dão mais prazer...

3.    Marque uma data para deixar de fumar. Precisa ser uma data significativa, como o dia do aniversário de um filho, o seu próprio aniversário. O mais importante é que a escolha seja pessoal. 

4.    Comunique aos familiares, amigos e colegas de trabalho que você vai deixar de fumar. Eles podem ser um reforço positivo para você.

5.    Prepare-se para a mudança. Escolhida a data de parada, releia os motivos para deixar de fumar e defina a forma de parar: abrupta (parar tudo de uma vez) ou gradual (reduzindo o uso ao longo de 2 semanas ou retardando o início do horário de fumar).

6.    No dia definido ou dia “D”, pare de fumar! Resista à tentação!

7.    Retire as carteiras de cigarro de perto de você. Não esconda nenhuma pela casa. 

8.    Interrompido o vício do cigarro, pode haver momentos de muita vontade de fumar. Resista e pense que esse desconforto vai passar. Beba água bem gelada, masque um chiclete. Respire profundamente e solte devagar.

9.    Tenha pensamentos positivos, lembre-se das vantagens em deixar de fumar. 

10.     Aumente a sua atividade física. Ande mais a pé. Marque com um(a) amigo(a) para caminhar perto de casa, num parque, por 30 minutos. Se você gostar, ande de bicicleta. Tudo isso em locais e horários seguros!

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