podcast do isaúde brasil

Publicada em 29/10/2019 às 13h58. Atualizada em 29/10/2019 às 17h47

Timidez: é possível controlar os sintomas?

Medo ou ansiedade em fazer algo diante de pessoas? Conheça mais como é conviver com o problema da timidez.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A timidez é definida como uma dificuldade em expor-se socialmente devido ao medo de julgamento, uma sensação de desconforto e inibição em situações sociais ou interpessoais. Trata-se de um evento afetivo-social com raízes multifatoriais: educação familiar, experiências pessoais no campo social, vivências culturais, autoimagem corporal distorcida, insegurança e até fobia social.

Os casos de timidez que mais são observados envolvem figuras de autoridade (professores, chefes, entrevistas de emprego etc.), apresentação em público e encontros românticos ou íntimos.

É comum a apresentação de reações cognitivas (pensamentos negativos), afetivas (medo da humilhação), fisiológicas (frio na barriga e até mesmo distúrbios intestinais) e comportamentais (perder a fala).

Embora seja menos comum do que a timidez situacional, aquela que se manifesta em ocasiões específicas, a forma mais crônica da timidez, a qual envolve o medo de situações em que haja contato com outros indivíduos, leva a pessoa a um grau de isolamento, evasão e solidão muito mais generalizada e é, muitas vezes, descrita por psicólogos e psiquiatras como fobia social.

A fobia social é definida, pelo DSM IV (em inglês, Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), como "o temor de agir de alguma maneira ou mostrar sintomas de ansiedade que possam ser humilhantes ou embaraçosos". Seria o medo, ou ansiedade, em fazer algo diante de pessoas que possam julgá-lo, podendo isso, portanto, interferir no trabalho, na escola e vida social.

"O tratamento psicoterapêutico visa encontrar a situação na qual a timidez se apresenta e quais são as ferramentas, potencialidades e dificuldades que a pessoa possui – o que será necessário fazer e o que ela pode e deseja fazer na situação em questão."

O tratamento psicoterapêutico visa encontrar a situação na qual a timidez se apresenta e quais são as ferramentas, potencialidades e dificuldades que a pessoa possui – o que será necessário fazer e o que ela pode e deseja fazer na situação em questão. É um caminhar conjunto, psicoterapeuta e paciente, rumo a soluções possíveis, viáveis e desejáveis para o paciente.

As técnicas vão desde dramatizações (psicodrama) de situações-chave de dificuldade, análise de crenças e do discurso repetitivo e limitante, até visualizações e planejamento de mudança de comportamento e postura.

A terapia cognitivo-comportamental, baseada na premissa de que seus pensamentos afetam a forma como você se sente e como esses sentimentos afetam o seu comportamento, busca empoderar as pessoas que sofrem com esses pensamentos automáticos. Para isso, é preciso analisar o que pode estar distorcido, checar o que pode ser falso nesses pensamentos e corrigir as interpretações por proposições verdadeiras. Essa reavaliação permite que as pessoas percebam estar supervalorizando negativamente a situação e desvalorizando sua capacidade natural de conviver, colaborando também para um processo de reavaliação da experiência vivida.

A abordagem do psicólogo geralmente envolve:

aprender a controlar os sintomas físicos da ansiedade, por meio de técnicas de relaxamento e respiração;

desafiar os pensamentos negativos que alimentam sua timidez, para, assim, substituí-los por pontos de vista mais equilibrados;

encarar situações sociais que provocam medo, de forma gradual e sistemática, ao invés de evitá-las.

É importante também haver terapia em grupo, utilizando-se de técnicas, como atuação, simulação, gravação e análise, para trabalhar as situações que fazem o paciente se sentir ansioso no mundo real, preparando-se para situações nas quais seja possível sentir-se, cada vez mais, confortável e confiante em suas habilidades sociais, diminuindo a timidez e a ansiedade.

Não importa o nível da sua timidez, sempre há um jeito de ganhar mais confiança para encarar os desafios da vida.

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