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Publicada em 05/08/2019 às 16h18. Atualizada em 07/08/2019 às 08h59

Tuberculose: transmissão, prevenção e tratamento

Condições desfavoráveis de vida como desnutrição, situação de rua e privação de liberdade são alguns dos fatores de risco.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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O que você sabe sobre as formas de contágio e tratamentos para combater a tuberculose? Conheça também os sintomas e riscos de infecção nesta entrevista com a médica pneumologista e professora do curso de Medicina da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública Tatiana Senna Galvão Nonato Alves.

iSaúde Brasil –  O que é tuberculose? O que causa a doença?

Tatiana Senna Galvão Nonato Alves – A tuberculose é uma infecção causada por uma bactéria. A Mycobacterium tuberculosis (bacilo de Koch) atinge principalmente os pulmões, sendo chamada de tuberculose pulmonar, mas pode acometer diversas partes do organismo, sendo, nesse caso, denominada tuberculose extrapulmonar. 

Nem todos os infectados pelo bacilo desenvolvem a doença. Ele pode permanecer no organismo durante anos, sem que a pessoa adoeça por tuberculose. A isso se dá o nome de infecção latente por tuberculose (ILTB). Qualquer pessoa infectada pode adoecer por tuberculose, porém existem algumas condições que comprometem o sistema de defesa do organismo, propiciando o adoecimento. Pessoas com doenças como câncer, diabetes, infecção pelo HIV/aids e uso de tabaco, estão sob maior risco de desenvolver a doença ativa. 

Condições desfavoráveis de vida como desnutrição, situação de rua, privação de liberdade, necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas, além de barreiras de acesso aos serviços de saúde também colocam o indivíduo em maior vulnerabilidade ao adoecimento.

iSaúde Brasil –  Quais as formas de contágio? Há vacina para prevenir a infecção?

Tatiana Senna Galvão Nonato Alves – A transmissão ocorre de pessoa a pessoa, por meio do bacilo expelido por tosse, espirro ou fala de uma pessoa com tuberculose pulmonar ou na laringe. Ambientes fechados, mal ventilados, com ausência de luz solar, com aglomerados de pessoas, tornam maior a chance de transmissão. Quanto maior o tempo de permanência em ambientes com essas características e na convivência com pessoas afetadas pela tuberculose sem tratamento, maior a chance de infecção. Por isso, é importante manter a casa arejada, permitir a entrada de luz solar e manter as janelas abertas para adequada circulação do ar. Deve-se orientar também o paciente a levar o braço ou lenço à boca e ao nariz quando tossir ou espirrar para diminuir a disseminação dos bacilos. Essas medidas são importantes durante a fase de transmissão. A partir de 15 dias de tratamento adequado, o risco de transmissão diminui.

A vacina BCG deve ser administrada o mais precocemente possível, de preferência, logo depois do nascimento do bebê. A vacina diminui a incidência de formas graves da tuberculose (meningite tuberculosa e tuberculose miliar). Deve-se verificar, no cartão de vacina da criança, a situação vacinal e, caso não esteja atualizada, fazer o encaminhamento à unidade de saúde para atualizar o esquema vacinal. As crianças de até cinco anos de idade (4 anos, 11meses e 29 dias) que não têm cicatriz vacinal no braço direito também devem ser encaminhadas à unidade de saúde para que seja avaliada a necessidade da vacinação.

iSaúde Brasil – Como identificar os sintomas?

Tatiana Senna Galvão Nonato Alves – A tosse é o sintoma mais frequente da tuberculose pulmonar, geralmente acompanhada de expectoração (escarro).

Para a população geral, é considerado sintomático respiratório (SR) quem tem tosse por três semanas ou mais. Pensando em diagnosticar a tuberculose (TB) mais precocemente, sugere-se investigá-la nas pessoas privadas de liberdade e/ou com diabetes quando há presença de tosse por duas semanas ou mais.

Além da tosse, pode surgir febre baixa (geralmente no fim da tarde), suores noturnos, emagrecimento, fraqueza, cansaço e dores no corpo. Na tuberculose extrapulmonar, outros sintomas podem surgir, de acordo com o órgão acometido.

A comprovação bacteriológica dos casos de TB é fundamental, tanto para o diagnóstico quanto para o controle da doença. Os principais exames de diagnóstico para tuberculose pulmonar são: baciloscopia, teste rápido molecular (TRM-TB) e cultura. Para a realização da baciloscopia, recomendam-se duas amostras de escarro: uma no momento da identificação do sintomático respiratório (SR) e outra na manhã do dia seguinte. Para a realização do teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB) recomenda-se apenas uma amostra de escarro, coletada no momento da identificação do SR.

iSaúde Brasil – A pessoa infectada sempre apresentará sintomas?

Tatiana Senna Galvão Nonato Alves – Nem todos os infectados pelo bacilo desenvolvem a doença. Ele pode permanecer no organismo durante anos, sem que a pessoa adoeça por tuberculose. A isso se dá o nome de infecção latente por tuberculose (ILTB).

iSaúde Brasil – Todas as pessoas que são expostas ao agente causador da doença serão infectadas?

Tatiana Senna Galvão Nonato Alves – Não. O epitélio brônquico apresenta uns cílios que promovem a eliminação de secreções e do bacilo, não permitindo que atinjam o alvéolo, desencadeando a reação imunológica. Portanto, quem fuma não possui o funcionamento adequado desse epitélio, logo, possui maior risco de desenvolver a doença.

O tratamento, incluindo os medicamentos, está disponível no SUS. Sua duração é de, no mínimo, seis meses, e os remédios devem ser tomados todos os dias. Para o acolhimento do paciente, é fundamental a abertura de diálogo, informando-lhe o nome dos remédios administrados, perguntando se ele tem dúvidas em relação ao tratamento ou à doença. Durante todo o tratamento, deve ser questionada a existência de eventos adversos à medicação.

iSaúde Brasil – Quais são os fatores de risco para uma pessoa desenvolver a infecção?

Tatiana Senna Galvão Nonato Alves – Portadores de HIV/AIDS, uso de álcool rotineiramente e outras drogas ilícitas, diabéticos, insuficiência renal, portadores de silicose, tabagistas, uso de corticoide oral por mais de 30 dias ou drogas imunusupressoras que baixem a defesa do organismo. O contato intradomiciliar com pessoas com tuberculose em atividade também é um fator de risco.

iSaúde Brasil – Como tratar a tuberculose?

Tatiana Senna Galvão Nonato Alves – O tratamento é feito com quatro drogas. Ocorre a administração de isoniazida, pirazinamida, rifampicina e etambutol por dois meses e, de isoniazida e rifampicina por quatro meses. O tratamento total dura seis meses com avaliações médicas mensais para verificar possíveis efeitos adversos nos pacientes em tratamento.

iSaúde Brasil – Há como saber se uma pessoa está infectada antes do desenvolvimento da doença? Em caso afirmativo, como é possível verificar e evitar a propagação da doença?

Tatiana Senna Galvão Nonato Alves – Nem todos os infectados pelo bacilo desenvolvem a doença. Ele pode permanecer no organismo durante anos sem que a pessoa apresente sintomas, ou seja, sem que a pessoa esteja doente. A isso se dá o nome de infecção latente por tuberculose (ILTB). O tratamento da ILTB tem o objetivo de evitar que o indivíduo com infecção latente adoeça por tuberculose. Sua indicação depende da avaliação clínica e de exames complementares (Rx de tórax e PPD). O tratamento é realizado com a medicação chamada isoniazida e dura de seis a nove meses, com doses diárias de medicação. É necessário o acompanhamento mensal na unidade de saúde para avaliação do tratamento e recebimento da medicação.

iSaúde Brasil – Quais principais cuidados o paciente em tratamento deve ter?

Tatiana Senna Galvão Nonato Alves – Devem ser realizadas consultas mensais para o acompanhamento da resposta ao tratamento e o monitoramento de efeitos adversos. Pacientes que não comparecerem ao serviço de saúde quando agendados, seja para consultas ou entrega de medicação, devem ser captados pelo agente de saúde ou pela ajuda de um familiar por meio da busca ativa. Com o início do tratamento correto, há melhora expressiva do estado geral do paciente e, ainda assim, é essencial que o tratamento seja seguido até o fim. Depois de 15 dias de tratamento adequado, com melhora do quadro clínico, as chances de transmissão diminuem.

iSaúde Brasil – Depois do tratamento adequado, a doença pode retornar?

Tatiana Senna Galvão Nonato Alves – Sim. Há a possibilidade de a doença retornar, se ocorrer alguma situação em que a imunidade baixe.

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