podcast do isaúde brasil

Publicada em 22/03/2019 às 10h23. Atualizada em 22/03/2019 às 11h26

Vamos entender os riscos da endometriose?

Problema atinge cerca de sete milhões de brasileiras e infertilidade pode ser uma das consequências.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A endometriose é um problema que chega a atingir cerca de 7 milhões de brasileiras. Além de causar dores intensas, ela pode ser a grande responsável pela dificuldade em engravidar. Apesar de a infertilidade ser uma das principais consequências da doença, nem toda mulher com endometriose será infértil. Conhecer mais o assunto foi o enfoque da entrevista que o iSaúde Brasil realizou com a especialista em reprodução assistida Cláudia Navarro. Confira:

iSaúde Brasil – O que podemos entender por endometriose?

Cláudia Navarro – A endometriose é uma doença que se caracteriza pela presença do endométrio – camada que reveste o interior do útero – fora do útero, podendo acometer vários órgãos, entre eles a bexiga, os ovários e o intestino, que estão próximos ao útero.

iSaúde Brasil – Podemos considerar essa patologia como sendo um problema comum, no que tange a saúde da mulher brasileira?

Cláudia Navarro – Sim. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a endometriose acomete cerca de 7 milhões de mulheres no Brasil.

iSaúde Brasil – Quais são as causas da endometriose?

Cláudia Navarro – Diversas teorias e pesquisas médicas apontam que a endometriose se dá por um processo multicausal, envolvendo fatores genéticos, anormalidades imunológicas e disfunção endometrial.

iSaúde Brasil – Ela pode se manifestar com dores no período menstrual e durante as relações sexuais com penetração. Por que isso ocorre?

Cláudia Navarro - Isso mesmo. O sintoma mais comum é a cólica forte e prolongada, muitas vezes interpretada como um sinal comum da menstruação. Por isso, pouca gente decide investigá-la. Em alguns casos, a doença também pode vir acompanhada de dor durante a relação sexual ou na hora de evacuar. Isso acontece principalmente nos casos que chamamos de Endometriose Profunda Infiltrativa, quando o implante de endometriose atinge o intestino ou as estruturas pélvicas de uma maneira mais profunda.

iSaúde Brasil – Quais outros sintomas podem estar atrelados ao problema?

Cláudia Navarro – Vale pontuar que existem pacientes que são assintomáticas. Quando apresentam sintomas, além da dor pélvica, estas pacientes podem apresentar desconforto ao urinar, sangramento ao evacuar, dor em cicatriz cirúrgica (quando apresentam lesões nestes locais). Entretanto, o grau da dor nem sempre está relacionado à gravidade da doença. Podemos ter pacientes totalmente assintomáticas com lesões severas e pacientes com sintomas muito fortes e uma endometriose leve.

iSaúde Brasil – Por que a endometriose pode causar infertilidade?

Cláudia Navarro – Os mecanismos envolvidos na relação entre endometriose e infertilidade ainda são obscuros. Quando há distorção da anatomia pélvica, essa relação fica clara. Entretanto, isso nem sempre ocorre. Sabe-se que mulheres com endometriose apresentam óvulos de pior qualidade e, além disso, mecanismos imunológicos e inflamatórios também estão presentes.

iSaúde Brasil – É verdade que a endometriose pode afetar outros órgãos? Como isso ocorre? Nesses casos, há um agravamento na saúde da paciente?

Cláudia Navarro – A endometriose pode atingir vários órgãos, entre eles a bexiga, os ovários e o intestino, que são os mais próximos do útero. No último caso, ela pode causar dores abdominais e sangramento ao evacuar. Há relatos de casos de endometriose em locais distantes da pelve, como o pulmão, por exemplo, mas são extremamente raros e nem devem ser considerados na prática.

iSaúde Brasil – Quais são os graus de endometriose?

Cláudia Navarro – A endometriose é definida em quatro estágios: mínimo, leve, moderado e grave. O grau da lesão é também o que vai determinar o tratamento adequado para a paciente.

iSaúde Brasil – Qual é o perfil da mulher acometida pela endometriose (fatores de risco)?

Cláudia Navarro – A endometriose é mais comum em mulheres na idade fértil, principalmente entre 20 e 30 anos.

iSaúde Brasil – Existe tratamento ou cura para este problema? 

Cláudia Navarro – Os tratamentos para a endometriose podem ser divididos em cirúrgicos e medicamentosos. Entre os tratamentos medicamentosos, o mais utilizado é a pílula anticoncepcional, principalmente de forma contínua. As injeções de hormônio também podem ser utilizadas. Anti-inflamatórios e analgésicos podem ser administrados, porém, eles apenas aliviam os sintomas, e não tratam a doença em si. O tratamento cirúrgico irá depender, sobretudo, da forma de apresentação da doença e dos sintomas da paciente, sendo, geralmente, indicado quando está em estágio grave. O mais importante, atualmente, é a individualização do tratamento.

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