podcast do isaúde brasil

Publicada em 10/09/2019 às 11h33. Atualizada em 10/09/2019 às 15h02

Vamos falar sobre a ansiedade?

O que caracteriza um quadro de ansiedade?

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Você já ouviu falar em ansiedade aguda? Você já teve uma sensação de perigo iminente, irritabilidade, insônia, pensamento negativo e/ou acelerado, irritabilidade ou tensão? Muito falada hoje em dia, a ansiedade é uma emoção normal do ser humano, porém, sua alta frequência pode indicar um problema mais grave. Saiba quando o problema requer o auxílio de um profissional especializado.



iSaúde – Pode explicar o que é "ansiedade"?

Joaquim Moura –
Ansiedade é uma emoção normal do ser humano. É considerada adaptativa quando serve para antecipar algum mal real ao qual a pessoa pode estar se sujeitando. A ansiedade patológica acontece quando, frequentemente, a pessoa apresenta essa emoção relacionada a um dano futuro improvável.

iSaúde – Quais são os sinais e sintomas de um quadro de ansiedade?

Joaquim Moura –
Os sinais da ansiedade patológica são: medo, sensação de perigo iminente, irritabilidade, insônia, pensamento negativo e/ou acelerado, irritabilidade e tensão. A ansiedade pode apresentar sintomas físicos, como: sudorese, taquicardia, falta de ar, boca seca, náusea, tensão muscular, dor de barriga...

iSaúde – Pode explicar o que é "ansiedade aguda" e "ansiedade crônica"?

Joaquim Moura –
Quando se trata de transtornos mentais, nos referimos a eles como doenças crônicas, ou seja, suas manifestações irão ocorrer em vários momentos da vida da pessoa se ela não fizer um tratamento e acompanhamento. A ansiedade aguda sugere um episódio isolado relacionado a uma situação ansiogênica na vida da pessoa, na qual apresentou os sintomas relativos ao transtorno de ansiedade, mas que foi abordado e tratado. Funciona mais como um aviso de que algo está disfuncional. Se esses sintomas se repetem ou perduram por muito tempo, podemos considerar uma doença crônica.

iSaúde – O que podemos fazer para evitar episódios de ansiedade ou, até mesmo, um quadro mais duradouro da doença?

Joaquim Moura –
Para controlar a ansiedade de forma mais efetiva, todos devem manter uma boa qualidade de vida. Para isso, são indicados exercícios físicos, alimentação saudável, lazer, boas noites de sono, relações sociais positivas. Deve-se também, manter-se longe de situações estressantes, de álcool e drogas e de relacionamentos que não são saudáveis.

iSaúde – Como um profissional de saúde mental (psiquiatra ou psicólogo) pode diagnosticar um paciente que sofre de ansiedade?

Joaquim Moura –
Os primeiros sinais a serem observados são as mudanças de comportamento da pessoa. É importante questionar se ela percebe que se tornou mais irritada, menos paciente, ou se a sua rotina de sono e alimentação foram modificadas. A partir disso, é feita a avaliação individualizada de cada caso, nas quais é levada em consideração a sintomatologia relativa.

iSaúde – Quais são os tratamentos indicados nesses casos?

Joaquim Moura –
Para casos mais leves, nos quais a ansiedade está alta porém não apresenta grandes danos à vida da pessoa, é indicado o acompanhamento ambulatorial com psicólogo e psiquiatra. Para casos intermediários ou mais graves, pode ser avaliado um acompanhamento em hospital-dia psiquiátrico e até internação integral.

iSaúde – Em 2017, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um documento com estatísticas dos distúrbios psiquiátricos ao redor do mundo. Os transtornos de ansiedade atingem um total de 264 milhões de indivíduos – desses, 18 milhões são brasileiros. A que podemos atribuir esse número elevado, no Brasil?

Joaquim Moura –
Em períodos de crise política e financeira existe uma tendência de a população apresentar um maior adoecimento psíquico. Sabe-se que, nesse período, o Brasil sofre com desemprego e problemas financeiros que afetam todos os habitantes, trabalhadores ou não. Além disso, as pessoas não estavam psicologicamente preparadas para o advento das redes sociais e a evolução da tecnologia. Os celulares têm deixado as pessoas ansiosas, as redes sociais trazem uma responsabilidade integral ao dia a dia das pessoas. A tendência é que esse número continue a aumentar se nenhuma política de promoção de saúde mental e prevenção de doenças não for realmente efetivada.

iSaúde – Crianças podem desenvolver um quadro de ansiedade?

Joaquim Moura –
Sim, a ansiedade está presente em todas as faixas etárias. Segundo a Sociedade Americana de Ansiedade e Depressão, 1 em cada 8 crianças sofre de ansiedade.

iSaúde – De acordo com um estudo da americana Universidade Harvard, sujeitos com os quadros graves e agudos levam em média sete anos para buscar o auxílio de um profissional de saúde. Por que isso acontece?

Joaquim Moura –
Acredita-se que as pessoas têm a dificuldade de entender e aceitar os sintomas da ansiedade maior. Muitas pessoas ainda têm o preconceito de procurar ajuda quando apresentam uma doença psiquiátrica, e isso atrapalha inclusive na recuperação delas. 

iSaúde – A quais sinais devemos ficar atentos para identificar que estamos sofrendo com esse problema a ponto de procurar um profissional de saúde?

Joaquim Moura –
Quando se percebe que a ansiedade está ficando frequente e, muitas vezes, desmedida, quando os sintomas físicos (dores de barriga, sudorese, taquicardia) começam a aparecer, quando existem mudanças comportamentais ou ainda quando a ansiedade impede de fazer algo que deveria fazer.

iSaúde – Devemos procurar um psicólogo ou um psiquiatra?

Joaquim Moura –
Pode-se procurar qualquer um dos dois que eles vão indicar o melhor tratamento a ser feito.

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