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Publicada em 02/08/2011 às 18h51. Atualizada em 10/08/2011 às 11h08

Verdades e mentiras sobre o terceiro molar, o “dente do siso”

O famoso dente do juízo requer cuidado, mas nem sempre precisa ser extraído. Saiba mais com o cirurgião dentista Dr. Fernando Bastos.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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“Nem todas as pessoas precisam extrair os seus “dentes do siso”, como é chamado também o terceiro molar”. 

Se a maioria das pessoas já tem certo medo de ir ao dentista, um número ainda maior delas teme o momento em que os chamados terceiros molares - os últimos dentes nas pontas das duas arcadas - devem ser extraídos. O medo se dá em função da natureza da cirurgia, um pouco mais complexa que a comum e simples extração  e dos inúmeros mitos e informações incorretas que circulam sobre o assunto.

Por exemplo: nem todas as pessoas precisam extrair os seus “dentes do siso”, como é chamado também o terceiro molar.  Se o terceiro molar estiver na posição correta na boca, ajudando na mastigação, ele não precisa ser extraído. Naturalmente, alguns problemas podem ser decorrentes da permanência de dentes inclusos ou parcialmente inclusos.

Dentre os mais comuns, podemos citar os processos infecciosos e inflamatórios, cárie no próprio terceiro molar ou no dente adjacente, doença periodontal (que acontece nos tecidos em torno dos dentes), compressão de nervos, reabsorção da raiz do dente vizinho e o desenvolvimento de cistos e tumores. Atualmente, os motivos ortodônticos são uma das maiores incidências de indicações para a retirada cirúrgica dos terceiros molares.

O terceiro molar é igual estruturalmente aos outros dentes que temos e inicia o processo de erupção por volta dos 16 aos 22 anos de idade. Com a evolução do ser humano, o tamanho das arcadas dentárias está diminuindo e o espaço para esse dente está reduzido, o que impede ou dificulta muito sua erupção, que às vezes ocorre apenas parcialmente.


“O terceiro molar é igual estruturalmente aos outros dentes que temos e inicia o processo de erupção por volta dos 16 aos 22 anos de idade”.

Outro mito muito comum acerca da permanência dos terceiros molares é a ideia de que, se a pessoa não procurar fazer a extração, poderá sofrer as conseqüências, padecendo de um câncer.  Na verdade, o que pode eventualmente acontecer é o desenvolvimento de cistos e tumores originados das células de formação do dente e, por isso, são chamados cistos e tumores odontogênicos.

O grau de complexidade da cirurgia depende da posição do dente no osso e sua relação com o dente vizinho, do tamanho e forma da coroa e das raízes, da abertura bucal do paciente e, também, da habilidade e treinamento do cirurgião-dentista.
A cirurgia, se for feita com aplicação das técnicas anestésica e cirúrgica corretas, não é dolorosa. Alguns procedimentos especiais podem ser aplicados para controlar dor e estresse dos pacientes nessas cirurgias, como o uso de ansiolíticos, sedação venosa, sedação com óxido nitroso e oxigênio e, até mesmo, anestesia geral.

"As principais possíveis complicações decorrentes da extração de um terceiro molar são dor, edema, infecção, hemorragia, fratura da mandíbula, lesões aos tecidos moles adjacentes (como gengiva e nervos), lesões aos dentes vizinhos e parestesia".

As principais possíveis complicações decorrentes da extração de um terceiro molar são dor, edema, infecção, hemorragia, fratura da mandíbula, lesões aos tecidos moles adjacentes (como gengiva e nervos), lesões aos dentes vizinhos e parestesia. A parestesia é a perda da sensibilidade de uma região anatômica por lesão do nervo. Pode ser reversível ou irreversível, a depender do grau de lesão que o nervo sofreu.

Nos casos de cirurgia para extração de terceiro molar, a parestesia pode acontecer caso as raízes do dente estejam muito próximas ou envolvendo o nervo que passa dentro do osso mandibular. Normalmente, as parestesias provocadas por cirurgias de terceiros molares são temporárias e a situação normal volta em alguns dias.

 PÓS-OPERATÓRIO REQUER CUIDADOS

Naturalmente, numa cirurgia de extração de terceiro molar, os cuidados pós-operatórios são fundamentais para a boa recuperação da cirurgia. É necessário que o paciente faça repouso nos primeiros três dias e tenha restrição de atividades esportivas por, pelo menos, uma semana. A dieta deve ser líquida ou pastosa, de preferência fria ou gelada, por 24 a 48 horas.
 Outra exigência é a manutenção da higiene bucal por meio da escovação e uso de antissépticos bucais. A aplicação de compressas de gelo na região operada, por fora da boca, ajuda no controle da dor e do edema formado no pós-operatório. Em geral, o edema, que é o inchaço que ocorre depois da cirurgia, dura em média 48 a 72 horas, quando começa o seu processo de regressão.

Também é recomendado que o paciente não toque a área operada com o dedo, palito ou outros objetos, pois isso pode causar infecção ou sangramento. Quanto ao sangramento, ele sempre vai ocorrer de forma leve, principalmente, no primeiro dia. Se for abundante e contínuo, é indicado que o paciente morda uma compressa limpa de gaze e entre em contato com seu dentista ou se dirija a um posto de saúde ou consultório odontológico para atendimento de emergência. Outro cuidado importante é o retorno ao consultório odontológico para revisão da cirurgia com o profissional que a fez no prazo de 5 a 10 dias.

NEM TODO MUNDO TEM TERCEIRO MOLAR

Uma informação curiosa que nem todos conhecem é o fato de que, ao contrário do que poderia parecer, algumas pessoas realmente não apresentam na idade esperada um ou até mesmo todos os terceiros molares. A arcada dentária normal deve ter 32 dentes, sendo 16 na arcada superior e 16, na inferior.

Existe uma discussão no meio científico com correntes afirmando que os quatro dentes do tipo terceiro molar podem causar desalinhamento dos outros dentes e outras correntes dizendo que eles não causam este tipo de problema. De maneira geral, na prática clínica, podemos observar alguns casos de desalinhamento possivelmente associado ao terceiro molar, principalmente ao inferior.

Outra informação recorrente é a de que um terceiro molar, mesmo ainda incluso, poderia ter cáries. Entretanto, quando o dente está totalmente dentro do osso e totalmente coberto pela gengiva ele não tem cárie. O que normalmente acontece é que o dente pode erupcionar (sair da gengiva)parcialmente e dificultar a escovação, o que levaria ao desenvolvimento de cárie.

A indicação para a extração de dentes inclusos totalmente ou parcialmente existe porque são dentes que não são úteis para a mastigação, podem causar problemas e não irão fazer falta, pois os outros dentes realizam a mastigação. A indicação para extrair os quatro terceiros molares se deve ao fato de que todo dente necessita do antagonista para mastigar, e, caso ele seja extraído, além da função mastigatória na região ficar prejudicada, existe uma tendência do antagonista extruir, ou seja, sair do alvéolo com o passar dos anos, o que prejudicaria a oclusão dentária - as relações de mordida entre a arcada dentária superior com a inferior e suas implicações em estruturas anexas.

Podemos fazer a extração de um dente por vez, do superior e inferior do mesmo lado, ou dos quatro dentes em uma só sessão. Essa definição é feita juntamente com o paciente, pois se extrairmos os quatro sisos de uma só vez, o pós-operatório será mais desconfortável. Outros fatores também devem ser levados em consideração na decisão de quantos dentes iremos extrair na mesma sessão. O estado clínico do paciente, o grau de dificuldade da cirurgia, a habilidade do cirurgião, e, o que é muito importante, a quantidade de anestésico que podemos usar para aquele paciente.

A desvantagem de fazer as extrações em mais de uma sessão é que todo o processo cirúrgico, medicação e cuidados pós-operatórios irão se repetir. Isso pode ser menos desconfortável para algumas pessoas. Quando se faz a extração dos quatro terceiros molares em uma única sessão, tem-se a vantagem de resolver o problema em uma etapa, embora para muitos esta seja a opção mais desconfortável. O paciente e o seu dentista devem discutir o que é melhor caso a caso.

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