podcast do isaúde brasil

Publicada em 10/12/2019 às 15h34. Atualizada em 10/12/2019 às 15h43

Você já ouviu falar em grafeno?

Conheça o biomaterial que pode mudar a sua vida.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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O grafeno é uma das formas cristalinas do carbono, assim como o diamante, o grafite e os nanotubos de carbono. Esse material pode ser considerado tão ou mais revolucionário que o plástico e o silício. Ele é o material mais forte e leve que existe, além de quase transparente e um excelente condutor de calor e eletricidade. Consiste em uma folha plana de átomos de carbono, único material de duas dimensões conhecido atualmente. Foi descoberto pelos pesquisadores Andre Geim e Konstantin Novoselov, da Universidade de Manchester, em 2010. Esses pesquisadores ganharam o prêmio Nobel de Física por perceberem a variada possibilidade de aplicação desse material na rotina diária. 

Figura 1: Lâmina de grafeno absorvendo impacto de um projétil. 

 

Este material chega a ser 100 vezes mais resistente que o aço e melhor condutor que o silício. Tem excelentes propriedades ópticas, pode ser utilizado em placas votovoltaicas, montagem de baterias e, até mesmo, em membranas para a filtragem da água, tudo isso com eficiência muito maior que os materiais atualmente empregados para tais funções. Com esse material, os celulares, por exemplo, provavelmente serão finos como uma folha de papel, transparentes, a bateria manterá o funcionamento por uma semana e serão cerca de 100 vezes mais eficientes no processamento de dados do que os atuais aparelhos. 

Mas, você deve estar se perguntando por que falar desse material em um texto de saúde? É que, além de todas essas propriedades, os nanotubos de óxido de grafeno são biocompatíveis. Assim, esse material pode ser utilizado no corpo humano sem que o mesmo apresente qualquer rejeição a ele. Esses nanotubos de grafeno podem ser empregados em bancos de tecidos, em processos de cicatrização de feridas e até no cérebro, como bioestimuladores para pacientes parkinsonianos. 

Atualmente, a biotecnologia está em processo de desenvolvimento de biossensores eletroquímicos. Esses dispositivos serão capazes de detectar alterações moleculares no corpo humano e transmitir essas informações em tempo real. Os relatos científicos de biossensores demonstrando estabilidade e reprodutibilidade relativamente boas, geralmente combinam o grafeno em sua estruturação. Já em 2012, pesquisadores (ver Mannoor MS nas referências)  fizeram a instalação de nanossensores capazes de monitorar a presença de bactérias e indicadores bioquímicos de placas bacterianas na superfície dos dentes. 

No âmbito da Odontologia, diversas pesquisas têm sido desenvolvidas com o grafeno. Por exemplo, o tratamento de doença periodontal em cães mostrou uma formação de tecido periodontal expressivamente maior em áreas tratadas com enxerto de óxido de grafeno em comparação com o grupo controle, sem o tratamento.

Hussein e outros pesquisadores observaram alta biocompatibilidade do grafeno com osteoblastos fetais humanos e com fibroblastos de camundongos e sugeriram uma ideia de arcabouço para proliferação de células envolvidas no processo de cicatrização tecidual. Para enxerto ósseo, por exemplo, o material ideal não deve provocar reação adversa ao organismo e deve promover uma nova formação óssea, além de ser resistente para o tempo necessário de integração do enxerto ao organismo. Com certeza, o fato de contribuir para o crescimento ósseo favorecerá o seu uso nas reabilitações com os implantes dentários. 

Não temos a pretensão de relatar todas as possibilidades desse material neste artigo, entretanto objetivamos despertar os leitores para o que está prestes a acontecer na biotecnologia e para aquele que será o provável responsável pela inovação que se aproxima. Por todas as suas propriedades e o seu potencial de biocompatibilidade, o grafeno, provavelmente, fará parte de uma nova revolução tecnológica e irá modificar a forma com a qual vivemos e tratamos nossos pacientes. 

Referências:

1. Mannoor MS, Tao H, Clayton JD, Sengupta A, Kaplan DL, Naik RR, Verma N, Omenetto FG & McAlpine MC.Graphene-based wireless bacteria detection on tooth enamel. Nature communications 2012.

2. Kawamoto k, Miyaji H, Nishida E, Miyata S, Kato A, Tateyama A, Furihata T, Shitomi K, Iwanaga T, Sugaya T. Characterization and evaluation of graphene oxide scaffold for periodontal wound healing of class II furcation defects in dog. International Journal of Nanomedicine. 2018:13 2365–2376.

3. Hussein KH, Abdelhamid HN, Zou X, Woo HM. Ultrasonicated graphene oxide enhances bone and skin wound regeneration. Materials Science & Engineering 2018.

Palavras Chave:

odontologia ciência
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