podcast do isaúde brasil

Publicada em 14/03/2013 às 00h00. Atualizada em 14/03/2013 às 10h49

Você sabe como evitar problemas nos rins?

O iSaúde Bahia conversou com a Dr.ª Margarida Dutra, líder do Serviço de Nefrologia do Hospital Português, e esclareceu algumas dúvidas sobre saúde renal. Confira!

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), mais de 90 mil brasileiros possuem insuficiência renal crônica, enquanto cerca de 10 milhões de indivíduos apresentam algum grau do problema. O diabetes e a hipertensão arterial são os principais causadores da doença que evolui de forma lenta e pode passar anos sem apresentar sintomas. No Brasil, essas enfermidades representam problemas de saúde pública e afetam uma parcela significativa da população: 30 milhões são hipertensos (24,4%), enquanto estima-se que sete milhões possuem diabetes (5,8%). Para esclarecer as formas de prevenção da doença que pode ser evitada ainda no início, especialmente entre a população de risco, o iSaúde Bahia conversou com a nefrologista Dr.ª Margarida Dutra.



 A partir de que idade devemos começar a avaliar nossa saúde renal?

Dr.ª Margarida Dutra
 - As doenças renais podem acometer qualquer faixa etária, inclusive a doença renal crônica, com necessidade de diálise e transplante, porém algumas doenças são mais frequentes nos jovens, como as glomerulonefrites, enquanto hipertensão arterial e diabetes são mais comuns após os 40 - 50 anos. 

Quais os principais sintomas que indicam a presença de uma doença renal?

Dr.ª Margarida Dutra
 - Edema nos tornozelos e nos olhos, dor e ardor ao urinar, presença de sangue na urina, dor lombar, náuseas e vômitos pela manhã e pressão alta. No entanto, algumas doenças renais podem cursar silenciosamente, só se manifestando em estágios mais avançados.

Quais as principais enfermidades que atacam os rins?

Dr.ª Margarida Dutra
 - Os rins podem ser agredidos por doenças intrínsecas renais, como as glomerulonefrites (doença imunológica), nefrites intersticiais pelo uso, por exemplo, de analgésicos e anti-inflamatórios, cálculos renais (pedras nos rins), infecção urinária alta (pielonefrite) e também por doenças sistêmicas como a hipertensão arterial e diabetes, sendo estas duas últimas as principais causas que levam à doença renal crônica (DRC) avançada, quando há necessidade de terapia renal substitutiva - diálise e transplante renal. Muito comum também é a chamada insuficiência renal aguda, frequente em pacientes críticos internados nas UTIs, que podem necessitar de suporte dialítico temporariamente.

Quais as principais causas da doença renal crônica?

 Margarida Dutra
 - Hipertensão arterial e diabetes.

Como podemos prevenir essas doenças?

Dr.ª Margarida Dutra
 - É importante realizar uma avaliação médica anual ou sempre que aparecerem os sintomas citados acima. Medidas simples podem prevenir o aparecimento de doenças renais como manter uma dieta saudável com pouco sal e pouca gordura, evitar o fumo, a obesidade, realizar exercícios físicos regularmente, controlar a pressão alta e a diabetes. É importante evitar medicamentos que agridem os rins como os anti-inflamatórios e, nos jovens, chamar a atenção para o uso indiscriminado de anabolizantes e suplementações proteicas que podem também levar à insuficiência renal. Pacientes idosos e os portadores de doença cardiovascular (DCV) têm grande potencial para desenvolver lesão renal e devem ter a sua função renal monitorizada, pois mesmo em estágios iniciais, a presença da DRC associada aumenta muito a chance de morte pela própria DCV.

A única alternativa para o renal crônico é o transplante? Que novidades em tratamentos temos hoje?

Dr.ª Margarida Dutra
 - As alternativas para o renal crônico continuam sendo a hemodiálise, diálise peritoneal, que atualmente pode ser realizada em domicílio, e o transplante renal, que oferece melhor qualidade de vida. Este foi um dos maiores avanços da Medicina nas últimas décadas, pois antes do advento dessas terapias, os renais crônicos em fase avançada faleciam precocemente sem opção de tratamento. Como novidades temos drogas imunossupressoras mais potentes, com redução dos índices de rejeição e maior sobrevida dos enxertos, o transplante simultâneo de mais de um órgão como o de pâncreas e rim no paciente renal crônico diabético, o transplante duplo de fígado e rim nos pacientes com insuficiência desses dois órgãos, este último já realizado em Salvador, no Hospital Português. A utilização da terapia de células tronco ainda vai demorar. 

Como é a realidade do paciente renal crônico no Brasil?

Dr.ª Margarida Dutra
 - O Brasil tem um excelente programa de Terapia Renal Substitutiva, patrocinado pelo SUS, sendo que 90% realizam hemodiálise e 10% diálise peritoneal.  Recebem também gratuitamente medicamentos de uso contínuo para controle da anemia, a vitamina D, medicamentos para controlar o fósforo e os hipotensores para controle da pressão arterial.  Outra opção de tratamento é o transplante renal que oferece melhor qualidade de vida.  O Brasil tem o maior programa público de transplante renal do mundo. Em 2010, foram realizados 4.657 transplantes de rim no Brasil, sendo 3003 com doador falecido e 1.654 com doador vivo. Estes pacientes também recebem gratuitamente os medicamentos imunossupressores. O número de transplante com doador falecido aumentou em cerca de 100% na última década. No entanto, o número de pacientes renais crônicos também dobrou na última década e dia a dia aumenta o número de pacientes em lista de espera para transplante. Em 2001, tínhamos cerca de 46.000 pacientes em diálise no Brasil e atualmente são 92.000 brasileiros realizando diálise, com custos anuais de 2 bilhões de reais. Por esse motivo, programas de prevenção devem ser incentivados e executados de maneira contínua para tentar conter o avanço da doença renal crônica.

É verdade que quem usa muito analgésico pode prejudicar a saúde renal?

Dr.ª Margarida Dutra
 - Sim. O uso prolongado de analgésicos e anti-inflamatórios pode lesar os rins de forma irreversível. 



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