podcast do isaúde brasil

Publicada em 08/05/2015 às 00h00. Atualizada em 08/05/2015 às 14h50

Você sabe o que é hipospádia?

Trata-se de uma malformação congênita comum no pênis (rara na vagina) que é o segundo defeito congênito mais comumente observado na genitália masculina.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Já tratamos em outros artigos da necessidade de os pais sempre observarem o aspecto e a aparência da genitália dos filhos recém-nascidos e durante seu desenvolvimento na infância. Uma das mais comuns malformações congênitas do meato urinário – que é aquela abertura da uretra por onde a urina, a ejaculação e líquidos parietais circulam – é chamada de hipospádia. Ela se caracteriza pela abertura da uretra em localização anormal.

O defeito congênito mais comumente observado na genitália masculina é o criptorquidismo, que é caracterizado pela ausência do testículo na bolsa testicular, e pode ocorrer em um escroto ou em ambos. Na maioria das vezes, o testículo fica retido na região inguinal ou abdominal, mas pode também acontecer de a criança nascer sem testículo.

"Acredita-se que essa malformação ocorra por uma conjunção de múltiplos fatores e, entre eles, a influência genética."

No caso da hipospádia, a literatura médica indica que as incidências em nível mundial variam desde um caso em quatro mil meninos até um caso a cada 125 meninos. Acredita-se que essa malformação ocorra por uma conjunção de múltiplos fatores e, entre eles, a influência genética. A hipospádia peniana é atribuída a falhas no processo de fusão das lâminas uretrais, na face ventral do tubérculo genital durante a fase embrionária. Nas mulheres, a ocorrência de hipospádia é rara e, quando é verificada, ocorre na parte inferior da vagina.

Em mais de 75% dos casos ocorridos em indivíduos do sexo masculino, o meato fica localizado na face ventral do pênis, o que representa chances maiores de sucesso na realização do procedimento cirúrgico corretivo. Uma outra forma que se apresenta em cerca de 10% dos casos é o meato urinário desembocar na bolsa escrotal. Ou seja: a uretra pode terminar ventralmente abaixo da glande, no meio ou na base do pênis, ou mesmo no escroto ou períneo. A forma mais grave de hipospádia é a chamada perineal, em que a abertura se apresenta mais abaixo do escroto e o pênis adquire forma amorfa.

A hipospádia é acompanhada por um excesso de pele prepucial dorsal que recobre uma parte da glande, a qual pode ter algum grau de rotação, ou mesmo o pênis apresentar uma curvatura ventral chamada chordee, observada principalmente quanto mais afastado da glande estiver o meato uretral. Em suas duas formas menos frequentes, a hipospádia pode impressionar muito os pais por conta desse excesso de pele, pelo meato fora do lugar e a aparência de curvatura acentuada do pênis. 

Em uma pequena parte dos casos, o prepúcio cobre toda a glande e há um megameato localizado logo abaixo da extremidade peniana ou no sulco bálanoprepucial, sendo comumente diagnosticada durante a postectomia (cirurgia de fimose). Se a hipospádia estiver associada à criptorquidia uni ou bilateral, torna-se necessária uma investigação para transtorno da diferenciação sexual e a avaliação do cariótipo é frequentemente necessária. Nos casos de testículos não identificados, é preciso lembrar que não se deve registrar o nascimento da criança até que se avalie corretamente o cariótipo.

TERAPIA HORMONAL

O tratamento deve ser iniciado logo após o nascimento do bebê e é necessário não se realizar a circuncisão, já que o excesso de pele do prepúcio é utilizado para a reconstrução peniana. Também pode ser necessário realizar um tratamento hormonal antes da operação. Na avaliação pré-operatória, o urologista pode se deparar com pênis de tamanho reduzido ou glande hipotrófica e recorrer à terapia hormonal prévia por meio de estímulo androgênico – uso de gonadotrofina coriônica ou suplementação com testosterona. Alguns cirurgiões utilizam-se da testosterona pré-operatória intramuscular ou sob forma tópica (creme de propionato de testosterona a 2%), aplicada diariamente no órgão por 30 dias antes da cirurgia, para os casos de pênis muito pequeno. O tamanho aumentado facilita a cirurgia.

Os principais objetivos da cirurgia de correção da hipospádia são recompor a uretra em diâmetro adequado, posicionando-a no centro da glande; propiciar uma micção sem esforço e sem abaulamento da uretra (o garoto poder urinar normalmente de pé); tornar o pênis sem curvatura, quando em estado ereto; conferir ao órgão um aspecto peniano mais próximo do “normal” e também, na época correta, atividade sexual normal, sem prejuízos. 

"...o recomendável é que o procedimento cirúrgico seja feito de seis a 18 meses de vida e, também, porque a criança, nessa fase, tem boa tolerância à cirurgia, com o mínimo de trauma."

Para evitar trauma emocional, o recomendável é que o procedimento cirúrgico seja feito de seis a 18 meses de vida e, também, porque a criança, nessa fase, tem boa tolerância à cirurgia, com o mínimo de trauma. Antigamente, era comum que fossem realizadas várias cirurgias para se alcançar esses objetivos. O avanço nos conhecimentos técnicos e fisiopatológicos da doença possibilitou resolver a maioria dos casos em uma única cirurgia.

PROCEDIMENTO CIRÚRGICO

Há uma grande variedade de técnicas que poderão ser escolhidas, a depender do caso, pelo médico urologista, no caso, o cirurgião pediátrico. A técnica utilizada deve ser escolhida em função da localização do meato uretral; do tamanho do pênis e da glande; da presença ou não de curvatura peniana; presença de fibrose; quantidade e qualidade da pele do prepúcio e, se houve cirurgias anteriores, entre outros fatores. As técnicas mais utilizadas as de Snodgrass, Onlay, Bracka e o retalho de Byars. A cirurgia de Bracka relaciona-se à colocação de enxertos de prepúcios e mucosa labial e é indicada principalmente nos casos de reoperações. 

O procedimento cirúrgico, em geral, é realizado em um tempo e mantém a placa uretral. Nos casos em que há grande curvatura do pênis, a cirurgia é realizada em dois tempos, desfazendo a fibrose (chordee) e refazendo a placa uretral com prepúcio ou mucosa labial para posterior tubulização, normalmente num período de até nove meses. O material utilizado é extremamente delicado, com fios de sutura bastante finos. Pode ser necessária uma sonda na bexiga, mas ela é retirada em poucos dias e não chega a comprometer a mobilidade do bebê. O primeiro curativo é removido pelo cirurgião dois a três dias após o procedimento e a alta hospitalar é concedida no mesmo dia da cirurgia.

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