podcast do isaúde brasil

Publicada em 23/10/2019 às 00h00. Atualizada em 23/10/2019 às 06h47

Você sabia que a psoríase não é contagiosa, mas pode ser desencadeada por estresse?

A forma mais clássica de manifestação da doença é o aparecimento de lesões no couro cabeludo, joelho e cotovelo.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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"Apesar da aparência desagradável do chamado eritema descamativo, a psoríase não é, como pode eventualmente parecer para as pessoas leigas, uma doença contagiosa". 

Lesões avermelhadas bem delimitadas, com aparência de placas e aspecto de descamação, muitas vezes com uma casca levemente esbranquiçada, localizadas comumente nos joelhos, cotovelos e raiz dos cabelos que costumam aparecer ou piorar durante o período mais frio do ano. Essa é uma descrição geral que pode revelar um quadro de psoríase, doença crônica de pele - uma vez manifestada, é preciso manter o tratamento por toda a vida.

Apesar da aparência desagradável do chamado eritema descamativo, a psoríase não é, como pode eventualmente parecer para as pessoas leigas, uma doença contagiosa. Ela está relacionada ao estresse, entre outros fatores. Tomar sol e hidratar a pele é essencial para o tratamento - coisa que nem sempre o paciente faz, por vergonha de expor a pele descamada, um problema típico de culturas como a nossa, que valorizam excessivamente a beleza física.

Pesquisas mostram que a psoríase é uma doença, tanto ligada à questão imunológica quanto à genética ou, como se diz entre especialistas, uma doença de caráter multifatorial. Dessa forma, tanto os fatores genéticos e imunológicos quanto a questão do estresse, podem desencadear sua manifestação e determinar que ela seja mais forte ou mais suave, que apareça mais cedo ou mais tarde na vida da pessoa. A questão emocional, no entanto, é comprovadamente essencial no tratamento, porque a evolução da doença pode piorar muito se o paciente não conseguir sublimar a parte do estresse.


É comum que a psoríase tenha seus sintomas agravados no clima frio. Aí é que entra a importância de a pessoa expor o corpo ao sol, porque a radiação ultravioleta presente nos raios solares tem repercussão positiva no tratamento, que deve incluir abstinência de bebidas alcoólicas ou, pelo menos, que o paciente evite consumi-las em demasia.

A forma mais clássica de manifestação da psoríase é o aparecimento de lesões no couro cabeludo, joelho e cotovelo (nessas duas últimas áreas, sempre aparece na parte da pele que estica, chamada área extensora). Isso não impede que as lesões apareçam em outros locais, como virilha e axilas.

Ainda que raramente, essas lesões causadas pela psoríase podem provocar coceiras. O paciente deve evitar coçar ou arrancar as cascas das lesões, porque esse é outro fator que piora a psoríase (como também ocorre com a dermatite seborreica). A conseqüência disso é que, em muitos casos, a placa aumenta de tamanho – isso quando não acontece de a pessoa coçar outra parte do corpo (que ainda não tem a lesão) e ali outra placa avermelhada surgir. Esse é um fato científico curioso que pode ocorrer com pessoas que têm psoríase, vitiligo e dermatite seborreica conhecido como Fenômeno de Koebner.
 
DIAGNÓSTICO

"Por falar em dermatite seborreica, também é comum que o médico detecte um quadro de associação entre essas duas doenças, que têm alguns aspectos semelhantes, o que eventualmente impede um diagnóstico clínico conclusivo".

Por falar em dermatite seborreica, também é comum que o médico detecte um quadro de associação entre essas duas doenças, que têm alguns aspectos semelhantes, o que eventualmente impede um diagnóstico clínico conclusivo. A dermatite seborreica e a psoríase são doenças caracterizadas por eritema (coloração avermelhada da pele ocasionada por vasodilatação capilar, que indica normalmente ocorrência de inflamação) e descamação. Frequentemente, lesão nas bordas do couro cabeludo é sintoma de psoríase. A dermatite seborreica geralmente manifesta-se de maneira mais difusa, com coloração menos avermelhada e mais oleosidade. Nesses casos de indefinição, é preciso acompanhar a evolução da doença para que seja dado o diagnóstico correto.

Infelizmente, a psoríase não é uma doença curável, mas pode e deve ser controlada. O paciente tem que manter sua pele sempre bastante hidratada e consultar regularmente seu dermatologista. Muitas pessoas têm dificuldade em aceitar a doença por causa do estigma causado pelas lesões (o medo que causa nos leigos de que seja contagiosa e seu aspecto desagradável). O ideal é entender que há um fator genético predominante contra o qual não há o que se fazer, mas, obedecer ao tratamento que seu especialista prescrever e levar uma vida normal - afinal, muitas pessoas conseguem passar boa parte de seu tempo sem desenvolver lesões.

"Em geral, a psoríase manifesta-se antes dos 30 e na faixa dos 50 anos de idade..."



Em geral, a psoríase manifesta-se antes dos 30 e na faixa dos 50 anos de idade, o que não exclui a possibilidade de as primeiras lesões terem aparecido no início da adolescência, até os 15 anos. Quando surgem as lesões nos joelhos e cotovelo, o quadro de psoríase está clinicamente mais claramente manifestado. Crianças também podem apresentar a doença, mas, nesses casos, geralmente ocorrem lesões no rosto, axilas, região inguinal e áreas flexoras, e o tratamento é diferenciado. A psoríase infantil frequentemente está associada a infecções bacterianas que resultam em otites ou faringites. De alguma maneira, esse processo infeccioso pode desencadear sintomas de psoríase nas pessoas geneticamente predispostas.
 
TRATAMENTO
 
Todo tratamento de psoríase deve ser acompanhado e prescrito por um dermatologista. Um passo importante é não negligenciar a ação benéfica dos raios ultravioleta - que podem ser aproveitados através do banho de sol ou também em clínicas que ofereçam banho de luz artificial. Obviamente não é todo paciente que pode se expor à radiação solar por questões individuais. É preciso que o médico avalie o tipo de pele para dizer se exposições leves são ideais, no início da manhã ou final da tarde.

Caso o paciente utilize banho de luz artificial, deve ficar atento às especificidades do uso de ultravioleta A, B e de banda curta. Os raios ultravioleta B de onda curta são os de melhor efeito na lesão de psoríase, mas a  exposição não deve ultrapassar a três minutos, a depender do tipo de pele ou o grau de queimadura que possa ocorrer durante a exposição. O cuidado é justificado, já que esse tipo de radiação pode aumentar a ocorrência de câncer de pele no futuro.

"No caso da exposição ao sol, é necessário sempre aplicar filtro solar, fator 30, onde não houver a lesão e, sobre a lesão, hidratante, de preferência à base de ureia a 10% ou que contenha lactato de amônia a 12%".

No caso da exposição ao sol, é necessário sempre aplicar filtro solar, fator 30, onde não houver a lesão e, sobre a lesão, hidratante, de preferência à base de ureia a 10% ou que contenha lactato de amônia a 12%. Quanto mais hidratada a pele estiver e mais exposta a lesão, mais intenso é o efeito direto dos raios ultravioleta. Em geral, o tempo de exposição é de até 15 minutos por dia. É preciso, no entanto, observar para que a pele não seja queimada, o que pode ser indicado se a vermelhidão tornar-se muito mais intensa ou ocorrer prurido (coceira) na região.

Muitos dermatologistas aconselham que o paciente busque uma terapia auxiliar, no caso de grande instabilidade emocional e alto nível de estresse. Em outros casos, às vezes é necessário recorrer a medicamentos de uso tópico, especialmente os chamados corticóides, que têm ação anti-inflamatória comprovada. O inconveniente desse tratamento é que, apesar de apresentar aparente melhora no terceiro dia, é comum haver recidiva (reincidência) das lesões a partir do quinto dia. Outro problema comum é ocorrer a tolerância a determinada potência do corticoide.

Outra solução adotada por alguns dermatologistas é prescrever um derivado de alcatrão chamado Coaltar a 3%. São pomadas à base de vaselina de uso bastante inconveniente, mas causando uma melhora mais duradoura em relação a outros métodos. Uma coisa é certa: os pacientes que são acometidos de psoríase têm que aceitar sua condição, já que ela trará para toda a vida a necessidade de convivência com as eventuais lesões e particularidades do tratamento, como a necessidade de hidratá-las sempre, o que, às vezes, pode ser incômodo.

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