podcast do isaúde brasil

Publicada em 14/07/2011 às 11h00. Atualizada em 21/12/2011 às 11h26

Você sabia que a transfusão de sangue é como um transplante de tecido?

Conheça mais sobre este tipo de tratamento também conhecido como hemoterapia.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Pouca gente sabe que o sangue é um tecido. Ele é composto por uma parte de células (as hemácias ou glóbulos vermelhos, os leucócitos ou glóbulos brancos, e as plaquetas) e a parte líquida (que tem proteínas importantes para coagulação, o plasma). Em casos de hemorragia grave, anemia ou insuficiência, alguns ou todos esses elementos podem ser usados em transfusões de uma pessoa para outra.

 "Se a transfusão é como um transplante deve-se realizar testes para transformar este procedimento o menos arriscado possível para a pessoa que recebe esta transfusão".



Mas como funciona a transfusão de sangue dentro do organismo? No caso da anemia, são repostos os glóbulos vermelhos; na insuficiência hepática, o plasma – por exemplo. O fato é que, levando em conta que se trata de transferência de tecido entre indivíduos, a transfusão é um tipo de transplante de tecido.

Assim sendo, se a transfusão é como um transplante deve-se realizar testes para transformar este procedimento o menos arriscado possível para a pessoa que recebe esta transfusão. Por isso, o doador deve ser uma pessoa saudável e maior de idade (responsável pelo ato de doar), entre outros pré-requisitos. 

Encontrado o doador, é preciso se tratar da compatibilidade entre os dois indivíduos. Para determinarmos esta compatibilidade, são estudados sistemas de proteínas:

1)    os antígenos de vários sistemas como ABO, RH, KELL, DUFFY, KID, LEWIS, entre outros  presentes na membrana das hemácias. 

2)    os anticorpos presentes no plasma.

Esta compatibilidade define como principal procedimento a tipagem do sistema ABO-RH, que tem sua codificação genética associada ao cromossomo 1. Os grupos sanguíneos são herdados através de um alelo do gene paterno e um alelo do gene materno. Daí que você ouve dizer que Maria tem sangue AB Positivo, enquanto beltrano tem O Negativo, e por aí vai. A tipagem correta do sangue é fundamental, já que a transfusão é um evento irreversível. 

Desta forma, os médicos sempre devem avaliar muito bem o risco e benefício do procedimento, tendo em mente as reações transfusionais. Elas podem ser classificadas em imediatas e tardias, e divididas em imunológicas e não imunológicas (veja quadro de reações).

Em caso de incompatibilidade, em geral suspende-se a transfusão na fase ainda das reações imediatas até a definição do que está ocorrendo. Esta interrupção pode ser definitiva, como no caso de suspeita de incompatibilidade do tipo sanguíneo (quando a bolsa é levada para realização de testes) ou temporária, no caso de reações alérgicas ou sobrecarga de volume, por exemplo. Nesses casos, após controlado o quadro com o uso de medicações, pode-se reiniciar a transfusão.

“Doar sangue é simples, rápido e indolor. Praticamente todo indivíduo em boas condições de saúde pode doar sangue sem qualquer risco ou prejuízo à saúde”.


Apesar dos cuidados que devem existir durante a transfusão, o ato de doar sangue é simples, rápido e indolor. Praticamente todo indivíduo em boas condições de saúde pode doar sangue sem qualquer risco ou prejuízo à saúde. A doação é um ato simples em que se retira um volume de sangue total do indivíduo. Este volume não interfere em nada na saúde do doador e rapidamente é reposto pelo funcionamento da medula óssea, que reconstitui o tecido sanguíneo. O procedimento em si é resumido na punção de uma veia para coleta do sangue.

O sangue retirado é examinado para ver se o doador não sofre de doenças como Aids, Chagas, sífilis, hepatite, ou se tem o vírus HTLV, entre outras. Não interessa a orientação sexual do indivíduo. O que importa é o comportamento de risco, já que com a promiscuidade e o uso de drogas endovenosas aumentam os riscos de infecções que muitas vezes podem estar em uma “janela imunológica”, que é aquele período em que não é possível se definir o diagnóstico da doença.

SANGUE GROSSO
Um mito bastante comum sobre a doação de sangue é acreditar que quem doa sangue tende a ficar com o sangue “grosso” ou “fino”, que precisa doar sempre. Nada disso é verdade. Doar sangue inclusive melhora a saúde de quem doa. De acordo com um estudo realizado na Finlândia, doar sangue ajuda a diminuir as chances de problemas cardiovasculares.

A relação entre a doação e a diminuição das doenças cardíacas está ligada ao excesso de ferro acumulado no sangue, que se torna um potencial agente oxidante, atuando como catalisador da geração de radicais livres, que são substâncias tóxicas produzidas pelo organismo.

Além disso, é preciso lembrar que doar sangue é uma forma de ajudar pessoas em risco de vida, que passaram por acidentes ou vão passar por cirurgias delicadas, além de uma lista imensa de situações.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde – OMS, o ideal seria que 5% da população mundial fizesse doação de sangue. No Brasil, somente duas entre cada cem pessoas doa sangue. 

Por isto, os bancos de sangue dos hospitais brasileiros estão sempre sem estoque. Como forma de estimular a doação, alguns dos Estados do Brasil criaram políticas criativas, premiando seus servidores que doarem com meia-entrada em eventos culturais ou acréscimo de um dia de férias.



Quem depende de transfusão?

Qualquer pessoa é candidata a receber sangue, porque todos corremos o risco de passar por uma situação que nos obrigue a requerer a transfusão, como é o caso, por exemplo, de um acidente ou cirurgia de urgência. Algumas doenças hematológicas, como anemia falciforme, doenças neoplásicas também conhecidas como câncer, doenças imunológicas (como aplasia de medula óssea), doenças hepáticas (como o caso de insuficiência hepática secundária, ou cirrose) e alterações renais (falência renal crônica) aumentam os riscos de necessidade de transfusão.

Para qualquer transfusão de sangue é necessário acompanhar os sinais vitais (temperatura, freqüência cardíaca e pressão arterial) do paciente, sua identificação, avaliar o acesso venoso (deixando-o, se possível, exclusivo para a transfusão, especialmente em pacientes em nível hospitalar).

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Requisitos básicos para doação de sangue

* Estar em boas condições de saúde.
* Ter entre 18 e 65 anos.
* Pesar no mínimo 50kg.
* Estar descansado e alimentado (evitar alimentação gordurosa nas 4 horas que antecedem a doação).
* Apresentar documento original com foto emitido por órgão oficial (carteira de identidade, carteira de trabalho e previdência social ou passaporte).

Serviços Gratuitos
  • Hemocentro Coordenador
    Complexo HGE, HEMOBA e CICAN
    Av. Vasco da Gama s/n –– Rio Vermelho. Tel: (71) 3116-5603, Salvador
  • Hosp STº Antônio
    Obras Sociais Irmã Dulce
    Tel: 71-3310-1219
  • Av. Bonfim,161- Largo de Roma, Salvador